Reality show apresentará ratos e alimentos transgênicos

Foto: Divulgação

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Em contrapartida às experiências com organismos geneticamente modificados realizadas secretamente na Europa, um grupo de entusiastas russos planeja realizar uma experiência semelhante ao vivo pela internet.

Um grupo de seguidores e opositores dos alimentos geneticamente modificados planeja realizar uma experiência conjunta ao vivo para confirmar ou desmentir a tese sobre o perigo dos produtos transgênicos.

Os ratos selecionados para a experiência serão alimentados com soja, milho e batatas com inserções de DNA estranho e poderão ser observados em tempo real pela internet, informou ao jornal Izvéstia a diretora da Associação Nacional de Segurança Genética (ANSG) e autora do projeto, Elena Charoikina.

“O caráter secreto das experiências realizadas na Europa põe em dúvida os resultados obtidos. Por isso, queremos realizar uma experiência às claras”, acrescentou Charoikina. “O público poderá fazer suas próprias conclusões sobre os alimentos transgênicos.”

Segundo ela, a participação de vários cientistas dará credibilidade ao experimento. Os resultados das experiências serão avaliados por indicadores bioquímicos, genéticos, fisiológicos e morfológicos.

O projeto, que irá durar cerca de 12 meses, poderá também envolver porcos caso haja financiamento adequado.

Recompensa dos riscos

“O risco da quantidade de alimentos transgênicos crescer significativamente na Rússia se tornou grande com a entrada do país na Organização Mundial do Comércio [OMC]”, afirma Aleksandr Baranov, cientista do Instituto de Biologia do Desenvolvimento Nikolai Koltsov.

“Em 2006, a Rússia assumiu o compromisso de suspender a proibição da produção de transgênicos e deixar de marcar os alimentos contendo elementos geneticamente modificados quando se juntar à OMC”, diz Baranov.

Por esse motivo, hoje em dia é possível produzir diversos alimentos transgênicos na Rússia, desde que as sementes e a tecnologia sejam adquiridas de um produtor norte-americano específico.

Seu colega Aleksêi Kulikov considera, porém, que tal posicionamento radical é, muitas vezes, infundado. “Além de podermos controlar o risco, o mal de lançarmos algo que ainda não conhecemos existe, mas não é maior do que aquele que corremos no processo de seleção comum”, contesta Kulikov.

Seja como for, tanto os pró como os contra aos produtos geneticamente modificados concordam que é necessário realizar pesquisas nessa área.

“É preciso estudar os alimentos modificados para entendeu seu impacto sobre o organismo humano e estabelecer limites”, finaliza Valéri Gálchenko, diretor do Instituto de Microbiologia Vinogradski.

Originalmente publicado em russo pelo jornal Izvéstia

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