Sonho do superlaser nasce em cidade secreta russa

Foto: AFP

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País deve injetar US$ 1,5 bilhão em planta projetada para ser a mais poderosa estação de laser do mundo, em Níjni Novgorod.

Com um ambicioso projeto de US$ 1,5 bilhão, a Rússia pretende criar a estação de lasers de dupla finalidade mais poderosa de mundo. A UFL-2M, será instalada nos arredores do Centro Nuclear Federal de Sarov, na região russa de Níjni Nóvgorod. A base terá dimensões de dois campos de futebol e altura correspondente a de um edifício de dez andares. 


“A ideia é criar uma poderosíssima estação de laser e supercomputadores capazes de formular dispositivos altamente complexos e processos físicos”, explica o diretor -geral do Centro Nuclear Federal, Valentin Kostiukov.


Segundo o diretor científico do centro, Radi Ilkaiev, a potência da estação será de 2.8 megajoules, superior ao de uma semelhante nos EUA e outra em construção na França. “A finalidade do complexo científico é trabalhar com fusão termonuclear, e as pesquisas têm objetivo tanto de defesa como para futuras aplicações civis”, explica Ilkaiev. 

Sem permissão para espiar


Além de Sarov, existem outras nove áreas administrativas fechadas com instalações nucleares na Rússia.

Elas concentram organizações de pesquisa científica ligadas ao desenvolvimento, teste e fabricação de armas nucleares e sistemas de controle relacionados.

Também reúnem companhias que enriquecem urânio, produzem industrialmente isótopos e gerem combustível nuclear radioativo.

Protegidas por forças de segurança interna, essas cidades abrigam mais de meio milhão de russos. Um visitante, seja russo ou estrangeiro, só pode conhecê-las com permissão especial.


“Assim, até na hora de escolher a localização, é preciso pensar em como evitar impedimentos à participação de especialistas estrangeiros em pesquisas e experimentos conjuntos”, completa.

Los Alamos russo

A bomba de hidrogênio mais poderosa do mundo foi desenvolvida em 1950 sob a direção do acadêmico Andrêi Sakharov no centro nuclear da cidade secreta de Arzamas-16. Atualmente chamada de Sarov, na era soviética a cidade não constava de nenhum mapa. 

Na mesma época em que Robert Oppenheimer e sua equipe internacional de pesquisadores criava a primeira bomba atômica do mundo, em Arzamas surgia um inusitado balcão de informações. “O que é Arzamas-16?”, perguntava uma inscrição no estande. Em seguida, vinha a resposta: “A Los Alamos russa”.

Hoje, ali são desenvolvidas novas armas de alta precisão, realizadas pesquisas para a aplicação da energia atômica para fins pacíficos, e se desenvolvem diversos campos da ciência. No total, trabalham no centro mais de 18 mil pessoas, entre físicos, matemáticos, engenheiros e profissionais de TI. 

A Rússia possui mais de dez cidades fechadas do gênero, onde os melhores cientistas criam tecnologias secretas e produtos para fins militares e pacíficos – de microssensores a mísseis estratégicos.

Um novo capítulo

Duas décadas depois de Boris Iéltsin visitar e mudar o nome da cidade de Arzamas para Sarov, Vladímir Pútin visitou o centro de armas nucleares em missão semelhante. 

Parque tecnológico de Sarov

A Intel foi uma das primeiras empresas a se instalarem no parque científico, criado em 2004 em uma parceria da corporação financeiro-industrial AFK Sistema e da Rosatom com o governo da região de Níjni Nóvgorod.

Hoje, o parque tem cerca de 11,5 mil metros quadrados de instalações. Há planos para ampliá-lo em cinco vezes até 2015 com um novo investimento de 49 milhões de dólares da Rosatom.

Na ocasião, foram apresentados ao presidente não só uma nova geração de supercomputadores produzidos para suprir as necessidades da indústria de armas nucleares, mas também computadores compactos de alta performance para aplicação civil.

Além do perímetro

O parque científico de Sarov é uma das possíveis locações para a UFL-2M. Criado nas proximidades do centro de armas nucleares pelo grupo financeiro AFK Sistema em uma parceria público-privada, tornou-se uma espécie de “janela para o mercado”. Nosso objetivo é reaproveitar muitos dos progressos do centro nuclear para fins comerciais”, explica o diretor do Centro Nuclear Federal, Valentin Kostiukov. “Cooperamos ativamente com as indústrias aeroespacial e automobilística, bem como com os setores de energia hidroelétrica, petrolíferas e de gás”, completa.

Ao contrário dos laboratórios nucleares dos EUA, os centros de armas nucleares em Sarov e Snejinsk não possuíam supercomputadores poderosos, mas finalmente alcançaram seus concorrentes. 

“A performance agregada pelos supercomputadores nos dois centros federais nucleares foi 2 petaflops em 2011, índice comparável ao da indústria de armas nucleares norte-americana”, declarou o diretor da agência nuclear russa Rosatom, Serguêi Kirienko. 

O centro em Sarov opera atualmente um supercomputador com capacidade superior a um 1 petaflop (o mais rápido do mundo, chinês, pode atingir 2,5 petaflops) e planeja aumentar a potência de seu supercomputador para 1 exaflop até 2018-2020. Até 30 supercomputadores devem ser produzidos até o final do ano no centro.

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