Físico alemão comenta novo observatório orbital russo

Radiotelescópio Radioastron Foto: radioastron.ru

Radiotelescópio Radioastron Foto: radioastron.ru

Membro estrangeiro da Academia de Ciências da Rússia, Joachim Trümper participou de conferência sobre atividades do Spektr-RG em Kazan.

 No início de setembro, na cidade de Kazan, capital da unidade federativa do Tartaristão, na região do Volga, realizou-se uma conferência científica sobre as futuras atividades do observatório Spektr-RG, concebido para estudos astronômicos de raios-X.

Em entrevista à Gazeta.ru, o físico alemão Joachim Trümper falou sobre sua especialidade, a astronomia de raios-X (o estudo de objetos astronômicos no comprimento dessas ondas) e o futuro observatório orbital russo Spektr-RG.  Trümper é astrônomo e membro estrangeiro da Academia de Ciências da Rússia, além de autor de mais de 600 publicações científicas.

Gazeta.ru:Em seu discurso na conferência, o senhor falou sobre a cooperação no âmbito do projeto Spektr-RG. O senhor poderia falar um pouco mais sobre como se iniciou essa cooperação?

Joachim Trümper: Em 1976, vim a Moscou porque tinha grande interesse pelos trabalhos de Rachid Suniaev. Ele tinha ideias teóricas interessantes, e eu podia fazer observações.

Observatório orbital Spektr-RG 

Com abertura prevista para 2014, esse será o segundo observatório orbital da Rússia da série Spektr. O primeiro foi lançado no verão de 2011 e leva a bordo o radiotelescópio Radioastron. 

Desde então, trabalho em estreita colaboração com Suniaev e seu departamento de astrofísica de altas energias no Instituto de Pesquisas Espaciais da Academia de Ciências da Rússia. No total, estive 27 vezes na Rússia.

Nosso trabalho conjunto tornou-se uma cooperação internacional, e ainda agora continua se desenvolvendo. O lançamento vindouro do observatório Spektr-RG é, em grande medida, um fruto dessa cooperação internacional.

Talvez não valha a pena falar de todos os nossos trabalhos conjuntos, mas fizemos grandes avanços no estudo de uma supernova na Grande Nuvem de Magalhães, em 1987. Essa supernova é a mais próxima de nós após uma  observada por Tycho Brahe, em 1572, e outra, por Johannes Kepler, em 1604.

Fizemos uma série de descobertas importantes. Com o equipamento instalado na estação espacial Mir, conseguimos detectar uma intensa emissão de raios-X dessa supernova e explicar sua origem.

G.R.: Quais são suas expectativas para o lançamento do Spektr-RG?  

 

J.T.: Esse satélite levará a bordo dois telescópios de raios-X, o eROZITA, que está sendo construído na Alemanha e terá uma sensibilidade de 0,3 a 10 keV, além do russo ART-XC, que irá registrar os raios-X com energias de 6 a 30 keV.

Durante alguns anos, os dois telescópios irão monitorar o céu e ajudarão  a descobrir centenas de milhares de objetos interessantes, como grandes grupos de galáxias.

Joachim  Trümper

Em 1976, Joachim Trümper foi o primeiro cientista a conseguir avaliar o campo magnético de uma estrela de nêutrons obtido através das medições espectroscópicas.

Isso permitirá estudar a estrutura do Universo em larga escala, verificar modelos cosmológicos, bem como compreender a natureza da energia escura.

Além disso, poderemos descobrir milhões de núcleos galácticos ativos. Isso sem contarobjetos como pulsares de raios-X, sistemas binários e outras classes de fontes de raios X.

  

G.R.: O senhor é membro estrangeiro da Academia de Ciências da Rússia e tem trabalhado em estreita colaboração com cientistas russos. Como avalia o nível atual da ciência russa?  

 

J.T.: Não posso falar sobre a ciência russa em geral, mas não posso deixar de mencionar o alto nível das ciências naturais demonstrado pela União Soviética. Refiro-me não só à astronomia, mas também à física, química e biologia.

Após o colapso da União Soviética, muitos cientistas emigraram para o exterior. Mesmo assim, alguns grupos científicos fortes continuam trabalhando no país. Um deles é aquele com o qual continuo colaborando.

Acho que, no futuro, a situação só vai melhorar.

Para ver o artigo na íntegra em russo, acesse:http://www.gazeta.ru/science/2012/09/07_a_4758353.shtml

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