Viagem ao redor do círculo polar

Foto:Legion Media

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Quando e aonde ir para ver a aurora boreal na Rússia. O fenômeno, que encanta por sua beleza, também remonta à história e lendas de povoados remotos.

No inverno, a aurora boreal se eleva sobre o lago Lovozero, perdido na península de Kola, num ponto distante do círculo polar.

Todo o norte da Rússia observa esse extraordinário fenômeno da natureza.  Numerosos “caçadores” da aurora boreal lançam-se à conquista de paisagens desabitadas ao longo da Iakútia, Tchukotka e da região de Krasnoiarsk.

O povo lapão, habitante de suas margens, lê o destino na aurora boreal como outras culturas utilizam a borra de café para prever o futuro.

Musmansk


Ao norte da península de Kola, a aurora boreal pode ser observada até 200 vezes ao ano. A maior parte da península encontra-se no círculo polar e, por isso, no verão, durante um mês e meio, o sol não se põe no horizonte. Já no inverno, a noite polar domina.

Na península Laplandski, os moradores acolhem a aurora boreal na companhia de monumentos pagãos lapões e lagos sagrados. A melhor época do ano para observar o fenômeno é de fevereiro a março ou de setembro a outubro. As fulgurações celestes cor de fogo podem durar de algumas horas a alguns dias. As cores predominantes da aurora boreal são o verde-claro, o vermelho e, às vezes, o violeta.

Severodvinsk


Centro da Construção Naval Atômica da Rússia e, candidato à categoria de cidade científica [divisão administrativa especial da Rússia], Severodvinsk atrai viajantes por presenciar uma das auroras boreais mais brilhantes da porção ocidental da Rússia.

Localizado nas proximidades de Arkhanguelsk, capital da região homônima, Severodvinsk oferece muitas possibilidades de estudo desse fenômeno da natureza. Para ver as fulgurações verde-claras e vermelhas pelo céu de inverno não é preciso nem mesmo sair dos limites urbanos.

Novaia Zemlia

Com uma autorização especial, é possível entrar no arquipélago de Novaia Zemlia (Terra Nova, em português), onde vivem atualmente três mil habitantes, quase todos militares e construtores.

No século 20, o local foi palco de testes atômicos para fins pacíficos. Ali lançaram a primeira Bomba-Tsar AN-602, o dispositivo mais potente de toda a história da humanidade.

Nas noites polares, a maior parte das ilhas do arquipélago é usada como pasto para cervos, que passeiam sob os raios rubros da aurora boreal.

Narian-Mar

“Se a aurora boreal aparecer, não assobie! Senão ela vai embora”, dizem os moradores de Narian-Mar (Cidade vermelha, em português), capital da região autônoma de Nenetski, no norte da Rússia.

Lá se encontra um monumento à primeira cidade russa construída à beira do círculo polar, Pustoziorsk, fundada em 1499. No século 16, ela era o principal posto avançado da Rússia no Norte e na Sibéria e também servia como local de exilo e cárcere.

No século 18, com a abertura de estradas mais convenientes para a Sibéria, através dos montes Urais, a cidade perdeu sua importância e, dois séculos depois, desapareceu completamente.

Hoje em dia, é possível encontrar nas proximidades de Narian-Mar a estrutura reconstruída da igreja de Pustoziorsk. Apesar da aparência de templo, o local é usado como residência.

Além da aurora boreal e das lendas sobre a cidade perdida, vale a pena visitar Narian-Mar no início do outono.

Salekhard

Salekhard é a única cidade do mundo localizada dentro do círculo polar. Por isso, quase todos os estabelecimentos do munícipio recebem o nome do fenômeno natural: supermercados, salas de cinema, meios de comunicação locais e agências de turismo.

Por outro lado, basta sair dos limites urbanos e entrar na tundra setentrional para ver um brilho verde-vivo no céu, que a população local chama de nguer kharp, “a luz dos mortos”. Segundo a lenda, as almas de seus antepassados saem para caçar pela tundra nas noites frias.

Dikson

O povoado de Dikson está localizado no extremo norte da região de Krasnoiarsk; uma parte fica no continente, a outra, na ilha de mesmo nome, separada do continente por um estreito de um quilômetro e meio.

Ali também encontra-se o porto mais setentrional da Rússia. É possível alcançar o polo Norte com apenas duas horas de voo da ilha.

Durante o ano todo, não há mais de 30 dias ensolarados. Entretanto, os 632 moradores da ilha observam atentamente a extraordinária aurora boreal que esbranquiça o céu durante o mês de agosto.

Dudinka

Dudinka está situada além do círculo polar norte, razão pela qual são registradas temperaturas positivas apenas em quatro meses do ano. No inverno, a temperatura atinge 50˚C negativos, enquanto no verão alcança 30 ˚C positivos.

Para quem ousa visitar a cidade, as paisagens árticas são arrebatadoras. uma aurora boreal de oito meses ao ano e quebra-gelos imponentes, que deslizam no horizonte pela rota marítima do norte.

Igarka

A cidade portuária de Igarka fica no nordeste da região de Krasnoiarsk, em uma zona de solo constantemente congelado.

O povoado está localizado na última estação da estrada de ferro do norte, um projeto de Stálin destinado a integrar os locais habitados do extremo norte pela rota ferroviária Salekhard-Igarka, mas que hoje em dia permanece abandonada.

Percorrer a “estrada morta”, como é conhecida pelos locais, é uma atividade obrigatória de qualquer turista em busca de aventuras.

Em todas as noites da primavera e do verão, é possível observar uma aurora boreal cor-de-esmeralda.

Khatanga

Em um dos locais habitados mais ao norte da Rússia, a proporção entre o número de pontos turísticos e os 2.960 moradores chega a ser excessiva.

Os mais notáveis são dois museus sobre mamutes (um deles subterrâneo), um cemitério de navios e uma mina de diamantes abandonada. Lá se encontra a igreja ortodoxa mais setentrional da Eurásia: o templo de Bogoiavlenski.

Durante o período de noites polares, o céu sobre Khatanga fica coberto com a mais brilhante aurora boreal, que atrai turistas de todos os confins da Rússia.

Tiksi

O turista pode chegar a Tiksi em um voo direto de Moscou, aterrissando no aeroporto federal destinado a interligar as cidades centrais da Rússia e os vilarejos iacutos distantes.

O povoado foi fundado na década de 1930. A escuridão da noite cobre o céu durante 2 meses e meio no inverno; o dia polar tem a mesma duração. A aurora boreal fica bem visível nos dias do equinócio da primavera e do outono, em abril e outubro.

Magadan

A 15 quilômetros de Magadan, a cor do céu muda completamente, com o verde da aurora refletida nos montes de neve.

Os habitantes locais dizem receber um presente da aurora polar: o verão com neve, que enfeita tudo ao redor com cores vivas.

A cidade está localizada no Extremo Oriente, às margens do mar de Okhotsk, na mesma latitude de São Petersburgo. Mas o clima rigoroso e a presença da aurora boreal explicam os mares gelados e as montanhas.

Ali a aurora boreal não pode ser vista com tanta frequência. Em geral, aparece nos meses de março e abril, no início do verão polar.

Ilha de Vranguel

A ilha de Vranguel, com suas intermináveis paisagens cobertas de tundra ártica, está inserida na área da reserva da Lapônia, reconhecida pela UNESCO como Patrimônio Natural da Humanidade.

A ilha fica no ponto de encontro dos hemisférios oriental e ocidental. Em seu território não restou nenhum povoado. Todos os três vilarejos construídos no século 20 foram abandonados.

Para chegar à reserva e deleitar-se com bois-almiscarados pastando, com a aurora boreal refletindo-se nas superfícies de cristal de rocha e com as estruturas deterioradas dos vilarejos-fantasma, basta pegar um pacote turístico para a Lapônia.

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