Pútin concede primeira entrevista depois da posse

Presidente disse pronto a colaborar com Mitt Romney, apesar de suas críticas à Rússia. Foto: kremlin.ru

Presidente disse pronto a colaborar com Mitt Romney, apesar de suas críticas à Rússia. Foto: kremlin.ru

Presidente chamou apresentação de Pussy Riot de "convenção das bruxas" e se disse pronto a colaborar com Mitt Romney, apesar de suas críticas à Rússia.

Em sua primeira entrevista desde que tomou posse, o presidente russo Vladímir Pútin falou sobre suas expectativas para a cúpula da APEC (Cooperação Econômica Ásia-Pacífico) em Vladivostok e manifestousua opinião sobre as questões mais atuais das políticas interna e externa, incluindo o conflito sírio, as eleições presidenciais nos EUA e a condenação de cantoras do grupo punk Pussy Riot.

Pútin declarou que as autoridades russas continuam seguindo o curso da democratização do país. O chefe de Estado também rebateu a crítica de um possível cerceamento da oposição depois de sua volta ao Kremlin. 

“Se isso significa exigir que todos, inclusive os representantes da oposição, cumpram a lei, então sim, essa exigência será colocada em prática regularmente”.

O presidente também comentou a ação das integrantes do grupo punk Pussy Riot na Catedral do Cristo Salvador, que teve grande repercussão interna e externa. 

Ele declarou que sabe de tudo o que está acontecendo, mas “não se intromete”. Pútin chamou a “oração punk” cantada na principal catedral do país de “convenção de bruxas”.



Mudanças não devem derramar sangue

O presidente da Rússia garantiu que Moscou não tem intenção de reconsiderar a posição do Kremlin a respeito da Síria. 

“Será que os nossos parceiros no processo de negociações não deveriam reavaliar a própria posição? Quando me lembro do que aconteceu nos últimos anos, fica claro que as iniciativas de nossos parceiros não terminaram do modo como eles próprios queriam”, afirmou.

Segundo ele, a Rússia entende muito bem que a Síria precisa de mudanças, mas isso não significa que elas devam vir com derramamento de sangue. 

“Na minha opinião, a primeira coisa a ser feita é interromper o fornecimento de armas para a zona do conflito, mas isso tem continuado”, disse.

Ao avaliar, os acontecimentos no Oriente Médio, Pútin afirmou que a “primavera árabe” foi ditada pela demora dos dirigentes dos países árabes em realizar reformas. 

“Os dirigentes dessas nações não perceberam as tendências que se desenhavam em seus próprios países e no mundo e não promoveram as reformas necessárias no tempo certo”, declarou Pútin.

Pútin tratou também sobre os planos de desenvolvimento do sistema global de defesa antimíssil e, em especial, do setor europeu (EvroPRO). A questão tem sido um obstáculo nas negociações entre Rússia e EUA.



“Será que esse problema vai ser solucionado caso o presidente atual, Obama, seja eleito para um segundo mandato nos Estados Unidos? Em princípio, sim. Mas a questão não se resume ao presidente Obama”, disse Pútin. “Há também o lobby militar, o Departamento de Estado dos EUA e sua máquina bastante conservadora”. 

"Para resolver o problema do sistema de defesa antimíssil é preciso chegar a um acordo e reconhecer internamente que somos aliados e parceiros confiáveis”, 


Ainda sobre o mesmo tema, Pútin chamou de “erro” a retórica antirussa do candidato a presidente dos EUA pelo Partido Republicano, Mitt Romney, que anunciou considerar a Rússia o “adversário geopolítico número um” dos norte-americanos.

Mesmo assim, o presidente russo garantiu que Moscou vai trabalhar com Romney, caso ele saia vitorioso nas eleições. “Vamos trabalhar com quem quer que seja escolhido pelo povo norte-americano”, arrematou.

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