Futuro aponta para o Oriente

A intensificação das relações econômicas entre a Rússia e os países da APEC está intimamente ligada à influência política russa na região. Foto: RIA Nóvosti

A intensificação das relações econômicas entre a Rússia e os países da APEC está intimamente ligada à influência política russa na região. Foto: RIA Nóvosti

Ao que tudo indica, o centro das atividades econômicas e políticas globais está gradualmente se deslocando rumo à região Ásia-Pacífico. O presidente da Rússia, Vladímir Pútin, já deu sinais de uma nova, e extremamente ambiciosa, ideia de cooperação com o Oriente.

A filosofia política de Pútin é simples. O país deve fazer um balanço entre os princípios da civilização europeia e a interação com o Oriente, onde novos centros de poder econômico e influência política estão se desenvolvendo intensamente.

Em outras palavras, a Rússia planeja convidar a Europa a avançar rumo à criação de um espaço econômico e humanitário único entre o Atlântico e o Pacífico. “Nesse caso, teremos um mercado continental comum no valor de trilhões de euros”, declarou Pútin antes mesmo de ser eleito presidente em maio deste ano.

A intensificação das relações econômicas entre a Rússia e os países da APEC está intimamente ligada à influência política russa na região. “Apesar de ser uma região com potencial de conflitos, ela não representa uma ameaça direta para nossa segurança nacional”, garante o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguêi Lavrov.

“Nosso crescimento deve se apoiar em duas vertentes, a europeia e a asiática, e não somente sobre uma delas”, completa o primeiro vice-premiê russo Ígor Chuválov.

A contrapartida de Moscou é tão óbvia quanto as intenções do presidente. Os europeus ganhariam acesso aos asiáticos através da Sibéria e do Extremo Oriente russo, onde estão sendo construídas redes de transporte de óleo e gás natural.

A estratégia de desenvolvimento social e econômico do Extremo Oriente russo e da Região do Baikal, adotada em 2009, prevê, entre outras cosias, um investimento público de três bilhões de rublos (cerca de US$ 93 milhões) até 2015.

Isso é sobretudo importante porque, além das linhas Transiberiana e Baikal-Amur serem vias que encurtam a distância entre a Europa e o Pacífico, as turbulências no Oriente Médio colocam em dúvida a segurança das rotas marítimas através do Canal de Suez e do Golfo Pérsico.

Outro chamariz da Rússia são seus recursos naturais, como hidrocarbonetos e minerais, e recursos biológicos do mar.

Cabe lembrar ainda que, em agosto deste ano, a Rússia finalmente aderiu à OMC (Organização Mundial do Comércio), após 18 anos de árduas negociações, o que permite intensificar o comércio e a cooperação econômica com o resto do mundo.

Na esteira econômica, a recém-lançada União Aduaneira, composta pela tríade Rússia-Bielorrússia-Cazaquistão, também parece pronta a negociar um acordo de livre comércio com os Estados-membros da APEC.

De um modo geral, a integração ampla com a Europa e com a Ásia deve certamente contribuir para acelerar o desenvolvimento econômico não só da Sibéria Oriental e do Extremo Oriente russo, bem como do país em geral. 

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