Especial Guerra Patriótica: Além de Borodinó

Foto: Olga Lisinova, RG

Foto: Olga Lisinova, RG

Organizadores da encenação de uma grande batalha entre tropas russas e francesas têm esperança de que o evento lembre as pessoas de que Borodinó não foi a única luta da Guerra Patriótica de 1812.

No início do mês passado, alguns recriadores históricos se reuniram no campo de batalha Lubino, na região de Smolensk, para realizar uma grande encenação da luta conhecida na Rússia como Batalha de Lubino e, na França, como Batalha do Monte Valutina.

A encenação fez parte do ciclo de eventos comemorativos pelo 200° aniversário da Guerra Patriótica de 1812.

É difícil dizer se a reconstrução histórica em Smolensk foi capaz ou não de bater qualquer outro registro de eventos semelhantes que aconteceram paralelamente à famosa Batalha de Borodinó. No entanto, mais de mil russos estiveram reunidos na tentativa de reconstruir a luta com o máximo de precisão histórica.

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Mesmo com o tempo pouco favorável, a estrada que levava ao campo de batalha estava lotada e os ônibus de turismo contratados para transportar os espectadores acabaram sendo pequenos demais para acomodar todo mundo que queria testemunhar o evento.

Oleg Sokolov, o fundador da recriação histórica na Rússia, incorporou o soldado e comandante francês Michel Ney. Apesar da reconstrução ter conseguido superar eventos parecidos já encenados na Rússia, Sokolov demonstrou certa decepção.

“Parece que a comemoração do 200° aniversário da Guerra Patriótica estava um pouca confusa”, disse Sokolov. “A encenação de Lubino poderia ter sido muito maior, e essa é uma meta realista”. Segundo ele, seria certamente necessário mais dinheiro e organizadores mais experientes nessa área, além de começar o trabalho com maior antecedência.

Os espectadores, contudo, elogiaram a encenação. À medida que os tiros de espingarda e canhões trovejaram e a fumaça das armas coloriam o ar, os visitantes tapavam as orelhas com entusiasmo. A cavalaria atacou os redutos fortificados e realizou manobras astuciosas enquanto a infantaria se alinhava em uma praça.

Obviamente a luta não terminou como a batalha de 200 anos atrás. Nos últimos instantes, os participantes da encenação, juntamente com o governador local Aleksêi Ostrovski e os representantes da embaixada francesa em Moscou se reuniram ao redor de uma sepultura e fizeram uma cerimônia em homenagem aos 28 soldados russos, francês e portugueses, cujos restos mortais foram encontrados no campo de batalha pouco tempo antes da reconstrução.

Em uma oração que reuniu católicos e ortodoxos, os achados foram novamente enterrados. Uma pedra memorial foi colocada em homenagem a esse evento no campo de batalha Lubino.

“Em qualquer história, sempre existem períodos nos quais, por razões diversas, as pessoas focam, e outros que elas preferem esquecer”, disse Sokolov.

“Na Rússia, praticamente toda a Guerra de 1812 é reduzida à Batalha de Borodinó, dando a impressão de que os franceses simplesmente caíram dos céus...houve a Batalha de Borodinó, depois Moscou foi incendiada, e tudo termina ali! Essa guerra se trata de uma longa sequência de eventos, e a batalha em Smolensk desempenhou um papel muito importante no contexto geral”, concluiu o historiador.

Originalmente publicado no veículo Rossiyskaya Gazeta

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