Brasil inicia trabalhos para construção de submarino nuclear

S Tikuna (S-34), submarino de propulsão diesel-elétrica da Marinha do Brasil. Foto: Centro de Comunicação Social da Marinha (CCSM).

S Tikuna (S-34), submarino de propulsão diesel-elétrica da Marinha do Brasil. Foto: Centro de Comunicação Social da Marinha (CCSM).

Veículo será totalmente projetado e construído no país. Segundo a revista especializada britânica Jane's, o Brasil precisará de três anos para traçar o esboço e outros seis anos para fabricar o submarino.

Durante uma visita recente ao Centro Experimental Aramar (CEA), responsável pelo projeto de submarino nuclear brasileiro, o vice-presidente da república Michel Temer disse que o primeiro submarino brasileiro de propulsão nuclear será colocado em operação em 2025, após três anos de testes.

As autoridades brasileiras já haviam anunciado o programa de submarinos nucleares de fabricação nacional em 2008, segundo o qual serão construídos cinco veículos. A estimativa é que cada submarino custe em torno de US$ 565 milhões.

Especificações técnicas

 

Os submarinos de guerra são divididos em três tipos: os de funções múltiplas (SSN), os porta-mísseis estratégicos (SSBN) e os portadores de mísseis de cruzeiro (SSGN).

O SSGN é uma tecnologia utilizada exclusivamente pela Rússia e pelos EUA, mas esses países não negociaram com o Brasil a entrega de protótipos ou amostras do gênero.

Assim, a hipótese mais provável é que Centro Experimental Aramar construa um submarino nuclear de funções múltiplas armado com torpedos com auxílio tecnológico da França.

“Como base do futuro submarino brasileiro de propulsão nuclear será provavelmente utilizado o submarino diesel francês Scorpène”, alega o comentarista militar Iliá Krâmnik.

Eles serão utilizados exclusivamente para a proteção das reservas de petróleo marítimas e das plataformas de prospecção do território nacional.

Se o projeto de submarino nuclear brasileiro vier a ser concretizado, o Brasil será o sétimo país do mundo a possuir uma frota submarina nuclear.

“Eles possuem uma economia crescente. Ao aumentar seu potencial militar, o país olha para o futuro e reivindica uma posição geopolítica entre os principais atores globais”, acredita comentarista militar da rádio Voz da Rússia, Iliá Krâmnik.

O especialista afirma ainda que o Brasil tem interesses na África e, hipoteticamente, na Antártida, opinião compartilhada pelo especialista Víktor Litóvkin.

“Usar um submarino nuclear para a exploração da Antártida é muito arriscado, mas por outro lado, não devemos subestimar as ambições do Brasil de ser uma superpotência regional”, assinala Litóvkin.

Projetos de expansão semelhantes podem surgir também na África do Sul, Coreia do Sul e no Irã, acredita o especialista. Entretanto, o vice-comandante da Marinha iraniana, Abbas Zamin, declarou em junho que seu país é capaz de construir 12 submarinos nucleares, colocando supostamente à prova os interesses brasileiros.

Originalmente publicado no jornal Vzgliad.

Todos os direitos reservados por Rossiyskaya Gazeta.