Arranha-céu da Gazprom ameaça patrimônio de São Petersburgo

Projeto de construção que agora atende pelo nome de “Centro Lakhta” era anteriormente chamado de “Centro Okhta”. Foto: Divulgação

Projeto de construção que agora atende pelo nome de “Centro Lakhta” era anteriormente chamado de “Centro Okhta”. Foto: Divulgação

Autoridades deram sinal verde para a construção do edifício da Gazprom no bairro de Primórski, em São Petersburgo. A decisão não só provocou a indignação dos moradores locais, mas também chamou a atenção da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura).

A preocupação maior é que o prédio de 472 metros de altura, a peça central do futuro complexo empresarial da Gazprom, possa estragar o panorama histórico do centro da cidade e prejudicar a integridade arquitetônica de São Petersburgo.

“Em junho do ano passado, participamos de audiências públicas nas quais os peterburguenses puderam fazer comentários e propostas”, declara Svetlana Afanasieva, diretora de relações púbicas da companhia responsável pelo projeto.

Após as audiências, o Comitê de Planejamento Urbano e Arquitetura emitiu um decreto que permitia a construção de prédios de até 500 metros de altura no local do edifício.

Em novembro de 2011, o Tribunal Municipal de São Petersburgo confirmou a legitimidade desta ordem. Os representantes do futuro arranha-céu receberam o alvará de construção depois do projeto ter sido também aprovado pelas autoridades de Estado.

Os representantes da UNESCO estão aguardando uma avaliação oficial do potencial impacto do prédio quanto ao título de Patrimônio Cultural da Humanidade da cidade.

“Antes de tomar a decisão de aprovar o projeto, as autoridades de São Petersburgo devem apresentar um documento para a UNESCO”, disse a representante oficial da Rússia na organização, Eleonora Mitrofanova, ao jornal Izvéstia.

“É preciso provar a nós que nenhum dano será causado aos elementos da herança cultural. Se recebermos muitos protestos, uma missão especial da UNESCO irá ao local para avaliar a questão”, completou.

Se for confirmada a violação da integridade histórica de São Petersburgo, a UNESCO poderá tomar medidas extremas.

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