Aeroportos regionais decolam com ajuda de capital privado

Aeroporto Koltsovo, em Ekaterinburgo, é o maior dos aeroportos regionais. Foto: Kommersant

Aeroporto Koltsovo, em Ekaterinburgo, é o maior dos aeroportos regionais. Foto: Kommersant

Investidores querem desenvolver malha área nacional e aumentar conexões pelas diversas regiões russas.

As grandes companhias de investimento russas estão adquirindo aeroportos regionais na esperança de que o futuro das linhas áreas nacionais esteja no aumento dos voos de conexão. Se o sistema de transporte aéreo regional receber financiamento estatal suficiente, os centros de conexão de Moscou enfrentarão uma nova concorrência.

Hoje em dia, a Rússia já conta com três grandes operadoras que controlam os aeroportos regionais com o maior fluxo de passageiros: Renova, a divisão de aeroporto de Víktor Vekselberg; Basel Aero, braço da empresa Basic Element, de Oleg Deripaska; e Novaport, uma subsidiária da Corporação AEON, de Roman Trotsenko.

Juntas, essas três companhias controlam 15 aeroportos regionais, alguns dos quais devem se tornar centros de conexão. Esse é o caso do aeroporto Koltsovo, em Ekaterinburgo, que é controlado pela Renova; Tolmatchevo, em Novosibirsk, de propriedade da Novaport; do aeroporto de Krasnodar, operado pela Basel Aero; e do aeroporto de Kurumotch em Samara, cujo controle foi assumido pela Renova na metade deste ano.

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As perspectivas desses aeroportos são resultados não só da influência de seus proprietários, mas também do tratamento recebido pelo governo, que detém todas as pistas de decolagem e pouso. As autoridades devem investir na restauração das pistas em aeroportos que recebem capital de grandes investidores privados. Já os demais dependem integralmente do financiamento dos governos federal e regional.

No presente, a infraestrutura de transporte que liga as regiões da Rússia está vinculada ao Complexo Aéreo de Moscou, ineficaz não só para os clientes, mas para a economia como um todo. Se um viajante precisa viajar de Kazan para Samara, que fica a 290 quilômetros de distância, ele deve fazer uma conexão em Moscou, que está a 965 quilômetros do ponto de origem.

Reformar os principais aeroportos regionais fará com que os subsídios estatais estimulem as companhias aéreas a aumentar o número de voos de conexão para cidades vizinhas e, assim, desenvolver o fluxo entre os centros regionais, ignorando Moscou.

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Neste ano, pela primeira vez na história, o governo destinou 31 de milhões de dólares para o financiamento de transporte aéreo inter-regional. Se a medida for mantida, vai permitir a criação de uma malha área ampla e conexões entre as regiões russas com menor dependência do complexo aéreo da capital russa.

Essas holdings começaram a investir nos aeroportos em 2007. No entanto, cerca de 200 dos 300 aeroportos em funcionamento na Rússia não são de interesse dos investidores privados devido ao pequeno fluxo de passageiros. Somente aqueles que possuem tráfego de, pelo menos, 500 mil pessoas ao ano, ou aqueles com potencial para atingir essa marca, são considerados bons investimentos.

Os especialistas garantem que, atualmente, o governo irá coordenar seus planos para as melhorias nas pistas lado a lado com os projetos dos investidores privados. “O governo não quer investir em pistas de alto nível em aeroportos com infraestrutura precária. Para assegurar que o trabalho seja feito por completo, o governo dá prioridade aos projetos apoiados por investidores privados”, explica Evguêni Tchudnovski, diretor-geral do aeroporto Koltsovo.

De um modo geral, o capital privado resultou em um desenvolvimento significativo dos aeroportos da Rússia. “O fluxo de passageiros nos aeroportos nos três grupos citados cresceu até uma vez e meia em três anos. Na Europa, um crescimento na faixa entre 1 e 3% no fluxo ao invés de queda é considerando uma importante conquista”, diz Serguêi Likharev, que era até recentemente diretor-geral da Basel Aero.

“Calculamos nosso crescimento anual na faixa de dois dígitos, e assim permanecerá pelos próximos anos”, completa Likharev. No ano passado, o fluxo adicional de passageiros em aeroportos controlados pelas três holdings foi de 16,2 milhões de pessoas.

De acordo com as previsões, a privatização e a transferência dos aeroportos para as mãos de investidores privados será concluída daqui três a cinco anos. Seus novos proprietários podem ser tanto holdings aeroportuárias como empresas privadas individuais.

Muitos proprietários de aeroportos consideram esses bens mais uma oportunidade de aumentar sua posição e prestígio do que um negócio. Eles não entendem como desenvolver o setor, e não querem perdê-lo.

Os especialistas afirmam que isso é verdade para muitos aeroportos. “Um dos maiores problemas dos aeroportos hoje é a falta de investidores qualificados, bem como gestores competentes, que devem ter uma visão conceitualmente nova das operações aeroportuárias”, afirma Evguêni Tchudnovski.

“É preciso instalar equipamentos e terminais completamente diferentes, para atender aos novos padrões. Tudo deve ser renovado. É uma tarefa difícil. Por isso, a consolidação do setor que visa aumentar a velocidade e a qualidade dessa revolução é o caminho certo”, arremata o diretor-geral do aeroporto Koltsovo. 

Trecho extraído de reportagem da Revista Expert. 

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