Ativistas do Greenpeace se acorrentam à plataforma da Gazprom

O risco é calculado sobre uma área de mais de 140 mil quilômetros quadrados. Foto: greenpeace.org/russia/ru/

O risco é calculado sobre uma área de mais de 140 mil quilômetros quadrados. Foto: greenpeace.org/russia/ru/

Oceano Ártico vira palco de luta entre ambientalistas e gigante petrolífera russa. Protesto tenta evitar possível desastre caso a plataforma entre em ação.

Um grupo de ativistas do Greenpeace se acorrentou nesta segunda-feira (27) à âncora de um navio que transporta os trabalhadores para a plataforma flutuante de petróleo Prirazlômnaia, da Gazprom, para protestar contra os planos da gigante de energia russa de explorar a plataforma continental ártica.

“Esse protesto pacífico visa evitar um eventual desastre que pode acontecer se a plataforma entrar em ação”, disse o diretor-executivo do Greenpeace, Kumi Naidoo. “Nossas ações estão voltadas contra os planos perigosos de iniciar os trabalhos de perfuração no Ártico, e não contra os trabalhadores que, como todos nós, são reféns da indústria do petróleo”, completou.

O Greenpeace organiza ações no mundo inteiro para proteger o Ártico de todas as empresas que se aproveitam das consequências da crise climática e colocam o planeta em risco em prol de seus lucros.

De acordo com o coordenador do projeto Ártico do Greenpeace Rússia, Evguêni Beliakov, a Gazprom não pretende abdicar de seus planos de extrair petróleo na plataforma continental deste oceano, que é uma das regiões mais frágeis do planeta.

Por isso, os ativistas estão exigindo que a empresa russa reveja seus planos antes que o processo de extração tenha início e o mar de Barents se transforme em uma zona de desastre ecológico.

“A cada ano, até 500 mil toneladas de produtos petrolíferos são despejados no Oceano Ártico por causa de vazamentos”, justifica Beliakov.

A assessoria de imprensa do Greenpeace Rússia declarou que a empresa Gazprom não se manifestou em nenhum momento durante a ação nem nos dias posteriores.

Consequências desastrosas

O corpo executivo da empresa planejava começar os trabalhos de perfuração na metade deste ano, dando início à produção comercial do petróleo já no início de 2013. Se o projeto tiver êxito, a Gazprom será a primeira empresa a extrair petróleo na plataforma continental ártica.

De acordo com os especialistas do Greenpeace e do Fundo Mundial para a Natureza (WWF, na sigla em inglês) na Rússia, as condições climáticas da região ártica não permitirão à empresa operadora remediar rapidamente as consequências do derramamento de óleo em caso de acidente.

Em julho deste ano, o Greenpeace lançou uma ação sob o slogan “Vamos defender o Ártico” com o objetivo de criar uma reserva global em torno do Polo Norte e proibir a extração de petróleo, pesca e guerras na região.

A ação foi apoiada pelos povos indígenas do Norte que assinaram, na semana passada, uma petição contra a produção de petróleo em seus territórios históricos.

Em caso de acidente no Ártico, cerca de 10 mil toneladas de petróleo poderão ser derramadas no mar, calculam especialistas. A situação é ainda mais grave, visto que os serviços de emergência mais próximos capazes de limpar o óleo derramado se encontram em Murmansk, a quase mil quilômetros de distância da jazida explorada.

“A ação de protesto do Greenpeace não prejudica a imagem da Gazprom e de outras empresas envolvidas na região, mas deve chamar a atenção do governo”, afirma o analista do fundo de investimento Capital, Vitáli Kriúkov.

A iniciativa serve de alerta para as autoridades sobre os projetos no Ártico, com a intenção de aumentar as exigências para as plataformas flutuantes de perfuração. “Mas acho pouco provável que o governo mande encerrar esse projeto”, acrescenta Kriúkov.

Reportagem combinada dos veículos RBC Daily e Kommersant

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