“A Rússia é nosso principal parceiro estratégico”

"China se opõe e condena todas as formas de terrorismo", reitera Bingguo  Foto: AP

"China se opõe e condena todas as formas de terrorismo", reitera Bingguo Foto: AP

Na última segunda-feira (20), o conselheiro de Estado da China, Dai Bingguo, concordou em conceder uma entrevista por escrito ao jornal russo “Rossiskaia Gazeta” antes da convocação da sétima rodada de consultas sobre segurança estratégica China-Rússia. Além de abordar a parceria com a Rússia e táticas para resolução do conflito sírio, diplomata chinês comentou sobre possíveis caminhos para convivência pacífica com os EUA.

Rossiyskaya Gazeta: É de conhecimento geral que as relações sino-russas alcançaram níveis sem precedentes nos últimos anos e os dois países tornaram-se verdadeiros parceiros estratégicos. No futuro, quais são as principais áreas em que as partes pretendem fortalecer os laços?

Dai Bingguo: A China e a Rússia estão passando por uma fase importante. Ambas as partes apresentam boas oportunidades de desenvolvimento, além de complementares. Por serem os principais parceiros em termos de cooperação, o relacionamento bilateral tem um potencial enorme. E os dois países devem permanecer firmes no desenvolvimento de um amplo relacionamento estratégico.

No futuro próximo, a tarefa central é implementar planos de desenvolvimento para as relações sino-russas ao longo da próxima década, bem como fazer com que seus líderes cheguem a um consenso sobre as perspectivas de cooperação.

Entre as atividades a serem colocadas em prática, devemos ampliar o apoio político mútuo para preservar nossas respectivas soberanias nacionais, segurança, desenvolvimento e outros interesses centrais.

Também é preciso aproveitar ao máximo a cooperação pragmática, sobretudo em grandes projetos estratégicos, aumentando a qualidade e a escala da parceria econômica, e esforçando-se para alcançar a meta de US$ 100 bilhões em comércio bilateral antes de 2015.

Além disso, devemos aumentar o intercâmbio cultural, sobretudo entre os jovens, aprofundando a compreensão mútua e a amizade entre os povos, assim como fortalecer a coordenação em assuntos internacionais. Nosso trabalho conjunto deve promover o desenvolvimento da ordem internacional em uma direção mais justa e ponderada, incentivando a paz, a segurança e a estabilidade não só da região, mas do mundo inteiro.

RG: A Rússia e a China têm assumido uma postura consistente em votações sobre a Síria na ONU, atitude condenada por alguns países ocidentais. Que medidas a China deve adotar na próxima reunião das Nações Unidas?

DB: A situação síria torna-se cada vez mais grave, pois a crise continua atenuada e gera preocupação em todos nós. A China se opõe e condena todas as formas de terrorismo e quaisquer atos de violência contra civis inocentes.

Para resolvermos o problema de uma vez por todas, devemos nos concentrar em uma solução política, e pressionar todos os lados a aceitar o cessar-fogo imediato. O comportamento da comunidade internacional sobre a questão da Síria deve respeitar os objetivos e princípios da Cartilha das Nações Unidas e as normas básicas das relações internacionais.

É preciso ajudar a acalmar a situação tensa na Síria, promover o diálogo político, resolver o conflito e preservar a paz e a estabilidade no Oriente Médio.

A China não tem interesses próprios nessa questão e sempre manteve uma posição justa e objetiva. Respeitamos a escolha do povo sírio, sem tomar partidos, e somos contra interferir na política interna de outros países e forçar a mudança de regime.

Com responsabilidade e compromisso, assumimos uma postura ativa na promoção de negociações de paz. Participamos de forma construtiva das discussões da ONU, utilizando a nossa posição para apoiar e cooperar com os esforços de mediação de Kofi Annan, enviado especial da ONU e da Liga dos Países Árabes.

Realizamos todos os esforços possíveis para implementar as resoluções do Conselho de Segurança e do relatório apresentado pelos ministros das Relações Exteriores do Grupo de Ação sobre a Síria.

RG: Como o lado chinês vai responder à mudança estratégica dos Estados Unidos em direção à região Ásia-Pacífico?

  

DB: A crise financeira internacional ainda apresenta consequências profundas e a recuperação da economia mundial caminha a passos lentos.

Nesse contexto, a Ásia-Pacífico mantém um ritmo de crescimento relativamente estável e rápido e as perspectivas são geralmente boas, tornando a região uma importante força motriz da recuperação e do crescimento da economia mundial.

Esse é o resultado dos esforços coletivos dos países dessa área, e reflete o fato de que a paz, a estabilidade e o desenvolvimento são tendências comuns na região.

Esperamos que os Estados Unidos estejam em sintonia com as tendências atuais da Ásia-Pacífico, bem como alinhados com as aspirações dos países da região. É preciso preservar a estabilidade, reforçar a cooperação e estabelecer um desenvolvimento comum. Temos expectativa de que os EUA respeite e proteja os interesses e as preocupações legítimas desses povos, e que contribua para sua estabilidade e prosperidade.

Os EUA estão de um lado do Oceano Pacífico e China está do outro. Ambos devem trabalhar em conjunto, explorar modelos de ganho mútuo e de convivência pacífica, concorrência construtiva e interação positiva na região Ásia-Pacífico.

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