Desemprego não ameaça a Rússia

Foto: TASS

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Índice de desocupação atual é menor do que antes da crise de 2008. Porém, especialista adverte que produção do país deverá sofrer com a falta de pessoal qualificado.

Enquanto o número de desempregados continua crescendo na Europa, a Rússia está sofrendo um processo inverso. Segundo avaliação do Centro Russo de Estudos da Opinião Pública (VTsIOM, na sigla em russo), a taxa de desemprego atual na ordem de 5% é menor do que antes da crise de 2008.

Esse índice é também duas vezes inferior ao dos EUA e cinco vezes menor quando comparado aos números da Europa.

Os especialistas afirmam, contudo, que tal ascensão deve apresentar uma queda no futuro. Os dados repetem o fenômeno ocorrido há cinco anos, quando a economia russa atingiu níveis sem precedentes depois da crise nos anos 90.

“Mas a nova queda não será catastrófica”, assinala o diretor do Instituto de Política Social, Serguêi Smirnov.

“Saltamos alguns degraus do desenvolvimento, mas ainda temos um grande problema: muitas produções arcaicas”, completa. Segundo o diretor, o país ainda luta contra a herança da economia soviética.

Apesar disso,  o país conseguiu superar os obstáculos, mesmo quando começaram as primeiras tentativas de reconstrução da economia russa e a imprensa previa uma explosão social.

“Nunca tivemos grande aumento do desemprego. O índice ficou estável mesmo nos piores momentos, girando em torno de três milhões de desempregados oficialmente registrados”, acrescenta Smirnov.

Qualidade em falta

A Rússia está ameaçada a sofrer uma série crise na produção, prevê o diretor do departamento de pesquisas sócio-políticas do VTsIOM, Stepan Lvov.

“A escassez de funcionários qualificados é sentida na produção”, explica. “Não há um número suficiente de operários qualificados, dirigentes, engenheiros de nível médio e pessoas diretamente ligadas à produção”, completa.

A falta de especialistas pode atingir o pico nos próximos anos. Para evitar um cenário pior, os empregadores estão admitindo pessoal qualificado do exterior, inclusive de países da ex-União Soviética.

Também há expectativa de aumento do fluxo de trabalhadores europeus que perderam o emprego na onda da recessão.

 

Originalmente publicado no site Voz da Rússia

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