Pussy Riot são condenadas a dois anos de prisão

Cantoras foram detidas em março deste ano Foto: RIA Nóvosti

Cantoras foram detidas em março deste ano Foto: RIA Nóvosti

Segundo juíza, integrantes do coletivo feminista punk “estavam cientes da natureza ofensiva de suas ações e aparência”.

Nesta sexta-feira (17), três horas após o início do veredito, proferido no tribunal Khamovnitcheski, em Moscou, a juíza Marina Sirova declarou que as três cantoras do Pussy Riot culpadas e lhes deu uma sentença de dois anos de prisão.

Nadejda Tolokonnikova, 22, Maria Aliokhina, 24, e Ekaterina Samutsevitch, 29, estão detidas desde março após entoarem uma canção anti-Pútin dentro da Catedral do Cristo Salvador, na capital russa. 

Segundo Sirova, as jovens promoveram “ações provocativas e humilhantes em um templo religioso, afetando muitos fieis”.

Ainda de acordo com a juíza, as acusadas “estavam cientes da natureza ofensiva de suas ações e aparência. Pretendiam atribuir grande ressonância à sua atuação, ofender tanto os sacerdotes como o público em geral, e infligiram um forte ataque aos ortodoxos”.

“[Elas] não se consideram culpadas nem se arrependem (...), qualificam suas ações como uma expressão política de forma artística”, completou a juíza. Durante a audiência, as acusadas se recusaram a assumir a culpa por vandalismo, mas admitiram ter cometido um “erro ético” e pediram desculpas aos fieis.

A promotoria havia pedido uma pena de três anos de prisão, enquanto a defesa clamava pela absolvição - embora ontem mesmo tivesse demonstrado pouca esperança no caso.

Apoio ao redor

Antes que a sentença fosse declarada, centenas defensores do Pussy Riot se reuniram em frente à sede do tribunal.

"Do meu ponto de vista, as meninas não agiram de maneira correta porque feriram os sentimentos dos fiéis mas, ao mesmo tempo, elas também têm direito de expressar sua posição, e dois anos é um castigo muito duro. Podiam ter dado uma pena adminstrativa de 15 dias”, disse à Gazeta Russa o advogado Serguêi Barabanov, 21 anos, que vestia uma camiseta com dizeres pedindo a liberdade da banda.

Diversas pessoas foram detidas, inclusive o coordenador da Frente de Esquerda, Serguêi Udaltsov, e o enxadrezista oposicionista Garry Kasparov.

De acordo com o portal Gazeta.Ru, cerca de mil pessoas reuniram-se no local.

"Estou aqui porque sou uma pessoa normal, adequada, que entende que há um absurdo total acontecendo, uma imundície diante do mundo inteiro. Eu simplesmente tenho vergonha pela Rússia, porque essas meninas, que se devia botar num pedestal pela coragem, pela honestidade, julgam-nas sem quaisquer motivos. É uma vergonha”, disse o professor de música  Viatcheslav Bereznítski, 68 anos.

Adversários da banda também fizeram uma manifestação no local. O caso foi acompanhado com muita expectativa na Rússia e a leitura da sentença foi transmitida ao vivo pela agência RIA Nóvosti.

O incidente ganhou grande repercussão internacional e diversos músicos e artistas, como Paul McCartney e Madonna, demonstraram solidariedade às cantoras nos últimos dias.

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