Magnata russo cria próprio Nobel de física

Iúri Milner, cujo patrimônio foi avaliado pela Forbes em US$ 1 bi, criou um prêmio paralelo que pagará o triplo do Nobel. Foto: Kommersant

Iúri Milner, cujo patrimônio foi avaliado pela Forbes em US$ 1 bi, criou um prêmio paralelo que pagará o triplo do Nobel. Foto: Kommersant

Um novo prêmio será concedido a descobertas importantes no campo da física fundamental e de áreas correlatas, informou um comunicado do Fundo Beneficente Iúri Milner.

Criada especialmente para esse fim, a Fundamental Physics Prize Foundation premia anualmente cientistas em duas categorias.

Os mais experientes podem concorrer a um prêmio de 3 milhões de dólares, enquanto os jovens disputam uma recompensa no valor de 100 mil dólares.

Os prêmios podem ser divididos entre um número indeterminado de cientistas e um único pesquisador pode ser agraciado mais de uma vez.

Os vencedores do prêmio Milner de 2012 foram escolhidos pelo próprio bilionário. Nesta primeira premiação, são nove cientistas, três deles russos.

No futuro, a decisão será tomada por uma comissão, composta pelos ganhadores de anos anteriores. A apresentação do resultado será aberta, em um site especial, atualmente em construção. Não serão permitidas autopremiações.

“A Academia Russa de Ciências funcionava de acordo com princípios similares e venceu o teste do tempo”, diz Milner.

O prêmio, inclusive o primeiro pagamento de 27 milhões, será financiado com recursos particulares do bilionário. “Três milhões por ano é uma soma que posso levantar sem problemas”, disse ele.

O empresário também não exclui a possibilidade de outros patrocinadores no futuro. “Tenho a convicção de que os melhores representantes das ciências fundamentais não devem faturar menos do que, por exemplo, os corretores da bolsa”, ressalta Milner.

Milner X Nobel 

 

A principal diferença entre o prêmio Milner e o Nobel não é nem o valor – no ano passado o Nobel de física foi de $ 1,1 milhão –, mas o fato de a premiação sueca ser outorgada apenas a resultados confirmados experimentalmente, o que, às vezes, leva dezenas de anos.

Já o bilionário russo considera que as descobertas da física contemporânea merecem atenção mesmo sem a comprovação. Não o assusta nem um pouco a possibilidade de que a demonstração experimental nunca aconteça.

Segundo ele, os trabalhos fundamentais mais brilhantes fazem a ciência avançar, pois até resultados negativos podem ensinar muito às pessoas que trabalham nesse campo científico.

De acordo com o regulamento do prêmio será dada atenção especial a trabalhos recentes.

“É muito bom que empresários de sucesso se interessem pelas ciências fundamentais”, considera Nikolai Kudriávtsev, reitor do Instituto Físico-Técnico de Moscou.

“Um prêmio vultoso por resultados destacados no campo da física fundamental é capaz de exercer uma influência motivadora sobre centenas de milhares de cientistas”, acrescenta.

Texto originalmente publicado no site do jornal Vedomosti

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