Roberto Carlos pendura as chuteiras

Roberto Carlos, durante ação beneficente com o Anji no início do ano. Foto: fc-anji.ru

Roberto Carlos, durante ação beneficente com o Anji no início do ano. Foto: fc-anji.ru

Ex-lateral esquerdo da seleção brasileira se aposenta aos 39 anos, mas continuará ligado ao Anji.

Inesperada e em meio ao turbilhão olímpico, a notícia pareceu menos importante. Mas Roberto Carlos, um dos melhores laterais esquerdos da história do futebol, está se aposentando.

Já na temporada passada, após a pausa de inverno da liga russa, o jogador conseguiu disputar apenas algumas partidas por causa de problemas físicos. Aos 39 anos, sua contribuição à equipe do Anji ultrapassa hoje os campos e segue rumo à diretoria do clube.

Roberto Carlos continuará ligado ao Anji em alguma função ainda a confirmar. A princípio será assistente do técnico, o holandês Guus Hiddink, embora provavelmente assuma algum posto na direção.

“Devemos entender que a carreira de um futebolista termina em algum momento. Robertos Carlos inicia uma nova etapa tanto em sua vida, como no clube. Com seu carisma e autoridades, fará uma grande contribuição no desenvolvido do Anji e do futebol russo”, declarou Hiddink, durante a coletiva de imprensa em que a notícia foi anunciada.

Roberto Carlos também aproveitou o ensejo para comentar que havia entrado em contato com Florentino Pérez, presidente do Real Madrid e amigo, para organizar uma partida de homenagem entre a equipe espanhola e o Anji, que seria disputada no Daguestão, segundo desejo do brasileiro.

Cabe lembrar que os 3,5 milhões de euros pagos em 1996 pelo Real Madrid por sua transferência para o Inter de Milão representa um dos melhores investimentos da história do clube espanhol.

Roberto Carlos vestiu a camisa branca por 10 bem-sucedidas temporadas, entre o time conquistou três títulos na Liga dos Campeões.

Depois de também passar pelo Fenerbache, da Turquia, e desfrutar de um breve regresso aos campos brasileiros pelo Corinthians, o jogador aceitou a oferta extravagante do russo Anji no começo de 2011, quando muitos já davam sua carreira por encerrada.


Uma festa de três milhões

Os 10 milhões de euros pelas duas temporadas no Anji renderam a Robertos Carlos, aos quase 38 anos, um salário fora dos padrões de mercado, mas foi a bolada que o oligarca Suleiman Kerimov aceitou desembolsar pela primeira aquisição – sempre a mais cara – de seu megalômano projeto esportivo na instável região caucasiana do Daguestão.

A ideia era que a fama do lateral brasileiro ajudasse o clube a conquistar um nome no futebol europeu e servir de imã para atrair outros jogadores de elite.

O último objetivo foi definitivamente alcançado. Depois de Roberto Carlos, chegaram Etto, Jirkov e Traoré.

Além disso, para terminar de convencer Robertos Carlos a se juntar ao Anji, Kerimov organizou uma festa de aniversário para ele em Moscou, avaliada em três milhões de dólares. O evento contou até mesmo com uma apresentação exclusiva do rapper Flo Rida.

 

Atuação exemplar

Independente do seu rendimento esportivo, o envolvimento do brasileiro com o projeto foi integral. Roberto Carlos chegou, inclusive, a exercer a função de treinador e jogador durante alguns meses e sempre esteve disposto a participar de todo tipo de evento beneficente ou destinado ao desenvolvimento da região.

Seu carisma o transformou em capitão do time e sua atitude cativante fez dele um dos favoritos na Rússia.

O jogador viveu seus piores momentos no país quando torcedores do time adversário jogaram bananas em campo. Embora não tenha sido o primeiro jogador estrangeiro a sofrer um ato racista no futebol russo, é certamente o mais famoso. 

O vídeo em que ele se retira do campo em lágrimas após o lançamento da banana foi transmitido no mundo inteiro e deu destaque ao problema do racismo no futebol russo. Após o incidente, as autoridades começaram a trabalhar o assunto, sobretudo pelo fato da país ser sede da Copa do Mundo em 2018.

Roberto Carlos anunciou sua aposentadoria um dia antes da primeira partida da história do Anji em um campeonato continental. Hoje, 2, a equipe daguestanesa irá enfrentar os holandeses do Vitesse, na pré-eliminatória da Liga Europeia.

Apesar de jogar em casa, encontro não será disputado no Daguestão, após um veto da UEFA, mas no estádio Saturn, nos arredores de Moscou. Robertos Carlos vai assistir à partida do banco, mas não mais como jogador.

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