Investimento estrangeiro acelera setor automobilístico na Rússia

A produção de automóveis na fábrica Ford Sollers na zona económica especial "Alabuga." Foto: Ford Sollers

A produção de automóveis na fábrica Ford Sollers na zona económica especial "Alabuga." Foto: Ford Sollers

A indústria automobilística russa vive um acelerado crescimento, com a construção de fábricas de empresas estrangeiras e o desenvolvimento de uma base de fornecedores de peças e acessórios. Mas, por outro lado, está também se descaracterizando, pois os carros são equipados com motores importados e o design é desenvolvido por especialistas estrangeiros. No final, sobra apenas a marca.

Na Rússia, a expressão “indústria automobilística nacional” há muito deixou de ser associada apenas às fábricas AvtoVAZ, GAZ, UAZ ou KamAZ. Atualmente, o setor russo de fabricação de automóveis é representado pela Hyundai ou Renault, que instalaram não apenas a montagem de seus veículos no país, mas também todas as fases de produção.

Exemplos não faltam. A própria General Motors está lançando dezenas de modelos na Rússia, inclusive em empreendimentos mistos, enquanto a Ford planeja produzir no país 300 mil automóveis em cooperação com a russa Sollers e iniciar a fabricação de motores.

Ao que tudo indica, a fabricação de automóveis nacionais segue agora pelo caminho da unificação com consórcios automobilísticos estrangeiros.

A GAZ, por exemplo, uma das empresas russas de fabricação de automóveis mais independentes, já se tornou uma plataforma de fábrica para consórcios estrangeiros. Hoje em dia, produz automóveis Skoda e, futuramente, dará início a fabricação da Volkswagen e Chevrolet.

Isso tudo sem falar de uma série de outras empresas que produzem peças e acessórios e carros completos no país. 

O governo, por sua vez, assume um papel fundamental na consolidação dessa tendência, por meio da realização de programas de estímulo estatal e impostos reduzidos.

Atualmente a produção de carros na Rússia é significativamente menos vantajosa do que, digamos, na China. Além da força de trabalho ser cinco vezes mais barata, o potencial das fábricas chinesas é bem maior por causa da elevada demanda.

No entanto, as altas taxas e isenções oferecidas às empresas no mercado russo acabam por compensar parcialmente essas perdas. Acredita-se também, daqui a dois ou três anos, a Rússia poderá se tornar o maior mercado europeu.

Perspectivas de mercado


Apesar da entrada da Rússia na OMC (Organização Mundial do Comércio), pressupor a consequente redução das taxas alfandegárias, as empresas estrangeiras não perderão as vantagens da fabricação de carros no país.

Para os produtores estrangeiros de automóveis, há também a perspectiva de entrada direta nos mercados dos países da CEI (Comunidade dos Estados Independentes).

A grande novidade é que quando os veículos tiverem 50% de sua composição feita na Rússia, eles serão considerados nacionais e poderão entrar em muitos dos países da CEI sem taxação.

Ainda assim, outros mercados dificilmente vão receber a nova produção de carros russos, a não ser em pequenos volumes e séries limitadas.

Levando em conta as dimensões do país e os problemas de logística, a exportação de automóveis da Rússia para mercados distantes num futuro imediato faz pouco sentido.

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