Setor financeiro russo se isola de choques externos

Chefe do Banco Central da Rússia Serguêi Ignátiev. Foto: TASS

Chefe do Banco Central da Rússia Serguêi Ignátiev. Foto: TASS

O chefe do Banco Central da Rússia, Serguêi Ignátiev, declarou em entrevista ao jornal “Financial Times” que as mudanças estruturais nos bancos russos depois da crise de 2008 reforçaram o setor financeiro nacional contra eventuais efeitos negativos.

De acordo com o jornal, o objetivo de Serguêi Ignátiev é acalmar os investidores temerosos de que o agravamento da crise na zona do euro terá um efeito catastrófico sobre a Rússia, como aconteceu em 2008 e 2009.

Segundo Ignátiev, por ser baseado em ativos estrangeiros, o setor bancário russo não é afetado pela desvalorização da moeda nacional ou pela falta de empréstimos estrangeiros.

“Em 2008, os ativos externos líquidos do sistema bancário russo totalizaram US$ 100 milhões no vermelho. Atualmente esses ativos atingiram US$ 44 bilhões positivos”, declarou o chefe do Banco Central.

“O volume total de passivos externos diminuiu de US$ 208 bilhões em agosto de 2008 para US$ 176 bilhões em 2012”, completou.

Os especialistas do Financial Times afirmam, entretanto, que quando as dívidas em moeda estrangeira são superiores àquelas em moeda nacional, os bancos se tornam particularmente vulneráveis à desvalorização da moeda local.

Assim, o país permite a sua moeda flutuar livremente, como fez a Rússia, e certos riscos como, por exemplo, desequilíbrio estrutural, aumentam.

Ignátiev disse que não vê problema na atual volatilidade de rublo. “No entanto, o Banco Central da Rússia está preocupado com a fuga de capitais em 2011 e em 2012. Os bancos são responsáveis pela evasão de US$ 23 bilhões em 2011”, completou.

O presidente do Banco Central acrescentou ainda que o Chipre é o único país vítima da crise da zona do euro que recebe ajuda dos bancos russos.

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