Antes favoráveis, metalúrgicas temem OMC

A indústria metalúrgica preocupa-se com a possibilidade de redução do consumo de aço dentro da Rússia por causa do acirramento da concorrência das importações. Foto: Reuters/Vostock-Photo

A indústria metalúrgica preocupa-se com a possibilidade de redução do consumo de aço dentro da Rússia por causa do acirramento da concorrência das importações. Foto: Reuters/Vostock-Photo

A siderurgia russa, antes vista como a principal beneficiária da entrada da Rússia na OMC, apontou problemas na mudança do regime comercial, sobretudo pela queda da rentabilidade no setor ao longo dos últimos anos. Para evitar isso, as metalúrgicas propõem a discussão com os EUA e a União Europeia de medidas para a prevenção de disputas comerciais.

De acordo com um relatório apresentado por Vladímir Líssin, presidente da organização sem fins lucrativos que reúne as principais metalúrgicas do país Russkaia Stal, o setor espera o acirramento da concorrência em 2012 e 2013, bem como a abertura de processos antidumping e a redução das exportações de aço e do consumo de matérias-primas.

A entrada na OMC (Organização Mundial do Comércio), esperada há muito tempo, era um objetivo acalentado pela indústria metalúrgica russa, que via nela a possibilidade de fortalecer a sua posição nos mercados internacionais.

Entretanto, se antes a indústria do aço podia se gabar de ter um dos maiores índices de lucro do mundo, agora a situação já não parece tão inabalável.

A revogação do acordo com a União Europeia ameaça a exportação de 2,5 milhões de toneladas e mais 300 mil toneladas podem ser afetadas pela revisão do acordo sobre a limitação do fornecimento de laminados quentes dos EUA, esclarece a “Russkaia Stal”.

A indústria metalúrgica preocupa-se também com a possibilidade de redução do consumo de aço dentro da Rússia por causa do acirramento da concorrência das importações.

Para se proteger de medidas antidumping de países importadores, as metalúrgicas russas propõem a substituição dos acordos sobre o aço vigentes entre a Rússia e União Europeia por um mecanismo bilateral de advertência prévia sobre disputas comerciais.

Além disso, foi sugerida uma consulta aos EUA para impedir a deterioração das condições de exportação para esse país. Assim o mercado metalúrgico russo quer proteger-se de possíveis processos de dumping, utilizando medidas de proteção do comércio.

Na opinião do diretor do Comitê de Informações sobre a adesão da Rússia à OMC, Aleksêi Portanski, os fabricantes de aço estão sendo dramáticos demais. “É claro que temos de analisar com atenção as propostas do setor metalúrgico, mas ações antidumping são uma prática normal”, comenta.

Além disso, as mudanças relacionadas à entrada na OMC afetam pouco as indústrias metalúrgicas, pois há muito tempo elas já realizam negócios no exterior. “O acordo sobre o aço existente entre a Rússia e a União Europeia garante que as exportações russas não serão alvo de medidas de defesa comercial”, explica Portanski.

“A metalurgia não deve sofrer diretamente por causa da OMC”, concorda Oleg Dúchin, da empresa de investimento Tserikh. “O mais provável é que a ameaça recaia sobre os consumidores do metal, principalmente, a indústria automobilística nacional”, acrescenta.

Produção sobe, lucro cai

Na apresentação do relatório, Lissin ressaltou que desde 2007 a rentabilidade média do setor caiu de 29 para 12%. O preço de custo da produção subiu 5,6 vezes desde 2001, enquanto os preços de venda do aço aumentaram apenas 3,9 vezes. “Nos próximos anos, a metalurgia russa irá gerar uma receita igual a das concorrentes ou ainda mais baixa”, constata o presidente da organização.

A redução da rentabilidade está relacionada, em primeiro lugar, com o aumento constante das tarifas de gás, energia elétrica e transporte ferroviário. Segundo os dados da associação das metalúrgicas, os preços do gás e da energia elétrica na Rússia alcançaram, e em alguns casos até ultrapassaram, os de seus concorrentes.

Nos EUA, por exemplo, 1 kWh custa 5,4 centavos de dólar; na Rússia, o preço sobre para 6,6 centavos, e isso na região dos Urais (fronteira entre as partes europeia e asiática do país). No Distrito Federal Central, que inclui a região de Moscou, o kWh sai por 8 centavos para as empresas russas, ou seja, apenas 0,7 de centavo mais barato do que na Bélgica.

A Rússia alcançou os EUA também no preço do gás: nos dois países, mil metros cúbicos custam US$ 119. As metalúrgicas queixam-se da alta nas tarifas do transporte ferroviário, equivalente a 78% desde 2007. Além disso, nos EUA e na Europa, o gás tem barateado nos últimos anos, enquanto na Rússia os preços continuam a subir.

Texto integral na página do jornal RBC-Daily

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