Integração não significa confronto

Vladímir Tchijov é embaixador extraordinário e plenipotenciário, representante permanente da Federação da Rússia na União Europeia. Foto: Reuters

Vladímir Tchijov é embaixador extraordinário e plenipotenciário, representante permanente da Federação da Rússia na União Europeia. Foto: Reuters

O espaço euroasiático é uma prioridade da política externa russa. Em conformidade com as regras da OMC, os esforços para criar uma zona de integração não tornam-se cada vez mais valiosos nas negociações entre a Rússia e a União Europeia. Embora as negociações com os parceiros europeus sejam remotas e, às vezes, difíceis, não existem obstáculos insuperáveis.

Uma das prioridades da política externa russa é o desenvolvimento dos processos de integração no espaço pós-soviético. A principal tarefa é não só preservar e fortalecer essa unidade no contexto político, social e histórico-cultural, mas também na restauração do comércio, da cooperação econômica e da concorrência.

Nem a Comunidade dos Estados Independentes (CEI) nem a União Aduaneira entre a Rússia, Bielorrússia e Cazaquistão foram criadas para estabelecer qualquer tipo de confronto com seus vizinhos.

O objetivo é, porém, garantir a convivência pacífica e cooperação mútua com outras organizações intergovernamentais, incluindo a União Europeia.

As possíveis formas de integração ou escolha estratégica que devem ser aplicadas nos países do espaço pós-soviético estão sendo bastante estudadas. Afinal, a integração euroasiática pressupõe, antes de tudo, uma integração econômica.

Mais importante ainda é o desenvolvimento de um processo baseado na estrutura jurídica internacional, que corresponda às regras e regulamentos da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Todas as iniciativas no âmbito da integração euroasiática não contradizem as regras da OMC, e muito menos entram em conflito com os parâmetros de integração existentes na Europa Ocidental.

Também quero enfatizar que grande parte da experiência da União Europeia, incluindo os mecanismos de regulação e normas técnicas, é aplicável aos membros da integração euroasiática.

Em maio de 2005, quando foram criaram os “roteiros” dos quatro espaços comuns entre a Rússia e a União Europeia (espaço econômico, espaço de liberdade, espaço de segurança e justiça, e o espaço de segurança externa, ciência, educação e cultura), essa questão foi discutida com muito vigor.

Mais tarde, os autores do projeto sobre a cooperação no espaço comum de segurança externa adicionaram uma cláusula de que todos os processos de integração em diferentes partes da Europa são complementares. Então é errado dizer que os governos pós-soviéticos enfrentam o dilema de ficar conosco ou contra nós.

Quando se trata de conversas sobre parâmetros específicos da União Aduaneira, por exemplo, conseguimos garantir um diálogo adequado e pragmático com os nossos parceiros em Bruxelas. Afinal, a própria União Europeia também não deixa de ser uma estrutura semelhante.

Ainda assim, cabe salientar que a União Europeia tem um interesse sincero em desenvolver os processos de integração no espaço pós-soviético e na criação de uma União Econômica Euroasiática. 

É óbvio que a integração nesse novo espaço irá estimular nossas relações com a União Europeia. Prova disso é o surgimento de estruturas supranacionais no âmbito da integração euroasiática, que introduziram novidades em nossas negociações com a UE.

O nosso trabalho como negociadores não é fácil, mas não vejo nenhum obstáculo insuperável. Tenho certeza de que nossos parceiros da delegação europeia compartilham a mesma opinião.

Vladímir Tchijov é embaixador extraordinário e plenipotenciário, representante permanente da Federação da Rússia na União Europeia.

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