ExoMars decola com tecnologia russa

Módulo de aterragem fornecerá o veículo para um local específico usando um dispositivo inflável de frenagem ou sistema de pára-quedas. Foto: ESA

Módulo de aterragem fornecerá o veículo para um local específico usando um dispositivo inflável de frenagem ou sistema de pára-quedas. Foto: ESA

Apesar da ajuda dos parceiros europeus, Rússia se encarregou de mais de metade dos trabalhos relacionados com a segunda etapa do projeto espacial internacional ExoMars, marcado para 2018. A informação foi divulgada nos corredores do Salão Aeroespacial de Farnborough 2012, na Inglaterra.

Na segunda metade do ano, a Agência Espacial Europeia e a Roscosmos (agência espacial russa) deverão assinar o acordo final sobre o ExoMars.

O projeto tornou-se uma parceria russo-europeia desde fevereiro deste ano, quando os EUA decidiram sair da empreitada devido a cortes orçamentais.

Embora os foguetes norte-americanos Atlas-5 sejam substituídos pelos russos Proton, o ExoMars continuará a ter duas etapas.

Na primeira delas, em 2016, serão lançados o EDM (Entry, Descent and Landing Demonstrator Module), um “demonstrador de aterrisagem”, e o módulo orbital TGO (Trace Gas Orbiter).

Com a ajuda do EDM, os europeus poderão aperfeiçoar novas tecnologias, tais como a entrada na atmosfera marciana, descida e aterrisagem.

“Até hoje, somente sondas russas russas e norte-americanas aterrissaram no solo de Marte”, informa o secretário científico do Instituto das Investigações Espaciais, Aleksandr Zakharov.

“Os especialistas russos irão apoiar os trabalhos do ‘demonstrador de aterrisagem’ que está sendo desenvolvido na Europa”, acrescenta. O objetivo do instrumento é meramente tecnológico e, por isso, não será munido de mecanismos científicos.

Busca de respostas

O “demonstrador” será equipado com sensores de vigilância dos processos de descida e aterrisagem. “No módulo orbital serão instalados alguns aparelhos russos, entre quais o detector de nêutrons para o estudo da distribuição da água no subsolo marciano à profundidade de um metro”, explica Aleksandr Zakharov.

O detector irá esclarecer qual a radiação em órbita, fator extremamente importante para futuras expedições tripuladas.

Os cientistas também estão muito curiosos sobre as causas do surgimento de metano no planeta vermelho. Por esse motivo, o aparelho orbital irá elaborar um mapa com os pontos de saída do elemento no subsolo e, assim, decidir o local de aterrisagem do ExoMars na próxima etapa.

“Na expedição de 2018 será incluída a plataforma de aterrizagem criada pela [empresa aeroespacial] NPO Lávotchkin. Com equipamentos majoritariamente russos, ela irá transportar o Mars Rover europeu [veículo motorizado automatizado] para a superfície do planeta vermelho”, conta o secretário científico.

O Mars Rover, cuja missão é procurar bactérias ancestrais, deve permanecer seis meses na superfície de Marte, percorrendo cerca de 100 metros por dia.

Parte dos aparelhos russos que serão utilizados no ExoMars foram construídos para o projeto Fobos-Grunt, uma das luas de Marte, em 2011. Após o fracasso do lançamento da sonda, a expectativa é que o novo programa ajude a Rússia a alavancar seus projetos no planeta vermelho.

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