Filmes russos vão parar na rede

Página do Estúdio Mosfilm no YouTube Foto: Screenshot

Página do Estúdio Mosfilm no YouTube Foto: Screenshot

Imagine se você pudesse acessar pelo computador filmes em alta resolução dos principais cineastas desde a época de Charlie Chaplin até os dias de hoje. É exatamente isso que os fãs do cinema russo têm à sua disposição.

Um arquivo enorme de excelentes filmes russos legendados dos dias do grande pioneiro Serguêi Eisenstein à nova leva de diretores como Aleksêi Balabanov e Karen Shakhnazarov estão agora disponíveis na internet.

Graças aos canais de YouTube do Estúdio Mosfilm e RussoTurismo (PyccoTypucmo, em russo), qualquer espectador pode agora conferir o melhor do cinema russo. Há uma impressionante variedade de gêneros, temas e diretores. O público pode ver  assistir às maiores obras de Serguêi Eisenstein, como “O Encouraçado Potemkin”, “Outubro”, “Alexandre Nevski” e “Ivan, o Terrível”, bem como seu grande sucesso do cinema mudo, “A Greve”.

Os filmes mais celebrados de Andrêi Tarkóvski, o segundo diretor russo mais famoso da história, também estão disponíveis na rede. Entre eles, os internautas podem assistir ao drama de guerra “A Infância de Ivan” e “Andrei Rublev”, uma obra sobre a vida do talentoso pintor de ícones da época medieval, bem como o famoso filme de ficção científica de Tarkóvski “Solaris”, “O Espelho”, chamado pelo jornal norte-americano “The New York Times” de “uma sombria fantasia futurística”, “Nostalgia” e sua última obra, “Sacrifício”, que foi comparada ao mestre sueco Ingmar Bergman.

Muitos dos filmes carregados no site são baseados em grandes obras literárias russas. Pelo menos três trabalhos de Aleksandr Púchkin serviram como base para os filmes disponíveis no YouTube: “Ruslan e Ludmila”,  “O Conto do Tsar Saltan” e “Boris Godunov”, os primeiros dois dirigidos por Aleksandr Ptuchko e o terceiro por Serguêi Bondartchuk.

Os sucessos “Viy” e “Tas Bulba”, de Nikolai Gogol, e o romance de 1859 “Oblomov”, de Gontcharov, também foram transformados em filmes. Além deles, ao menos três obras-primas de Dostoiévski foram adicionadas no canal do RussoTurismo: “Crime e Castigo”, “O Idiota”(em dez partes) e “Os Irmãos Karamazov” (em 8 partes).

Dos trabalhos de Tolstói, o Mosfilm adaptou “Anna Karenina” e “Cossacos” e “Guerra e Paz”, apesar do último, dirigido por Serguêi Bondartchuk, não ter legendas.

Da guerra aos dias de hoje

A Segunda Guerra Mundial foi uma experiência aterrorizante, porém heroica, para a Rússia. Cerca de 27 milhões de soviéticos perderam suas vidas, dos quais dois terços eram cidadãos comuns. Não é à toa que tantos filmes russos retratam direta ou indiretamente esse triste período histórico.

O Mosfilm, por exemplo, disponibiliza filmes como “A Queda de Berlin”, que, feito sob as ordens de Stálin, o glorifica. A perspectiva sobre a guerra das autoridades soviéticas durante a era Brejnev pode ser vista na série “Liberação”.

Os filmes do Mosfilm que abordam a guerra de uma maneira menos grandiosa, porém mais pessoal, incluem “Quando Voam As Cegonhas”(1957) e “A Balada do Soldado” (1959). Os seguintes diretores de meados da década de 1920 a 1970 também estão bem representados no YouTube: Grigóri Aleksandrov, Eldar Riazanov, Aleksandr Ptuchko, Leonid Gaidai, Larisa Chepitko e (seu marido) Elem Klimov.

Os filmes dos últimos vinte anos do século 20 também estão disponíveis, incluindo “Moscou não acredita em lágrimas”, que recebeu o prêmio da Academia norte-americana por melhor filme estrangeiro em 1981.

Dois dos mais importantes filmes da perestroika, “Meu amigo Ivan Lapshin” e o georgiano “Arrependimento Sem Perdão”, ambos inovadores em termo de estilo e abordagem única do Stalinismo, estão no YouTube. “Taxi Blues”, de Pável Lunguin, pelo qual foi reconhecido em 1990 como melhor diretor no Festival de Cinema de Cannes, está na página do RussoTurismo.

O RussoTurismo também disponibiliza o Oscar de melhor filme estrangeiro em 1994, “O Sol Enganador”, de Nikita Mikhalkov, no YouTube, como também diversos filmes deste século. Os destaques ficam para “Irmão”(1997) e sua sequência “Irmão 2”(200), e “Cargo 200”(2007), todos de Aleksêi Balabanov, e filmes contemporâneos como o “O cuco”(2002) e “Como terminei esse verão” (2010).

O texto original pode ser encontrado em The Moscow Times 

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