Um ano após o naufrágio do Bulgária

No total 122 pessoas morreram no acidente, incluindo 28 crianças. Foto: Serguêi Bogodvid / RIA Nóvosti

No total 122 pessoas morreram no acidente, incluindo 28 crianças. Foto: Serguêi Bogodvid / RIA Nóvosti

A Rússia relembra hoje as vítimas da tragédia ocorrida exatamente um ano atrás, no lago da represa Kuibichevskoe, no rio Volga. Ontem, 9, foram divulgados os resultados de uma ampla inspeção, segundo a qual um quarto dos navios da frota fluvial russa não cumpre as exigências de segurança.

Um ano depois do naufrágio do navio Bulgária, o órgão russo de controle e segurança do transporte publicou os resultados de uma inspeção de embarcações fluviais realizada após a tragédia. Segundo informação da assessoria de imprensa do órgão, de cada quatro embarcações, uma não estava em condições adequadas para navegação.

“Todos os navios problemáticos, após a correção das infrações, voltaram a funcionar normalmente. Os proprietários investiram algum tempo na preparação das embarcações; alguns gastaram poucas horas, outros, semanas”, explicou a assessoria de imprensa da Agência de Fiscalização do Transporte.

O problema, contudo, é que os proprietários das embarcações não se preocupam em manter os documentos em dia nem em providenciar os equipamentos obrigatórios. Por isso, a maioria dos meios de transporte apanhados em infração pelo órgão fiscalizador não possuíam os recursos de segurança necessários ou apresentavam documentos que não correspondiam ao verdadeiro estado da embarcação.

A comissão da Agência de Fiscalização do Transporte chegou à conclusão de que as causas das infrações se deviam a um conjunto de fatores. 

Os proprietários e capitães  das embarcações descumpriam as exigências da documentação que atesta a observação das normas de planejamento, preparação e determinação da rota, comprometendo, assim, a segurança da navegação. Os tripulantes, por sua vez, não obedeciam à disciplina e tinham baixa qualificação.

Em relação ao naufrágio do Bulgária, foi aberto um processo criminal, e a investigação das circunstâncias da tragédia está perto do fim.

O processo soma 90 volumes de documentos, que serão agora revelados aos acusados e depois entregues ao tribunal.

Depois de aproximadamente mil interrogatórios e uma dezena de perícias, cinco pessoas estão sendo acusadas de responsabilidade criminal, inclusive o capitão do Bulgária, Ramil Khametov, a subarrendatária da embarcação, Svetlana Iniakina, e o perito do registro fluvial, Iakov Ivachov. O inquérito foi prorrogado até 10 de novembro de 2012.

O bimotor a diesel Bulgária, construído em 1955, na Tchecoslováquia, afundou no dia 10 de julho, durante uma tempestade no lago da represa Kuibichevskoe, no Tatarstão, a 3 km da margem. Havia a bordo 201 pessoas, das quais 79 foram salvas.

Perto do povoado de Siukeievo, nas proximidades do local da catástrofe, foi inaugurado um memorial: uma capela ortodoxa, uma mesquita e uma laje de mármore com os nomes das vítimas.

Cronologia do naufrágio

9 de julho de 2011 – Início do cruzeiro. O Bulgária adernava para a direita e o motor direito não estava funcionando. Além disso, havia excesso de passageiros; num navio com capacidade para 120 pessoas, encontravam-se a bordo 201. A tripulação infringiu as normas e, antes da viagem, não esvaziou o tanque de armazenamento de esgoto, que, no Bulgária tinha um volume total de 30 t.

10 de julho, 11:15 – O bimotor a diesel saiu de Kazan. Nesse momento, começava uma tempestade no Volga, com ventos fortes. Duas horas depois, o navio adernou fortemente para a direita. Esse foi o motivo do impacto direto da água nas vigias abertas, dispostas praticamente na linha de flutuação.

10 de julho, 11:17 – Em resultado da violência da inundação dos compartimentos internos, o Bulgária virou e afundou em apenas dois minutos. Para salvar o navio, o capitão tentou jogá-lo sobre um banco de areia, mas, com um único motor em funcionamento, não foi possível alcançar a área segura, a apenas 50 m.

10 de julho, 12:17 – O navio de transporte de carga Arbat e a balsa com rebocador Dunaiski-66 passaram pelos sobreviventes, que estavam em botes salva-vidas, mas os capitães não prestaram socorro às vítimas. Como as investigações revelaram mais tarde, a frenagem das duas embarcações de carga superava 2 km, e o funcionamento das hélices não permitiria a aproximação sem atingir as pessoas.

10 de julho, 14:30 – O cruzador Arabella à região do naufrágio. Depois da operação de resgate, 79 sobreviventes voltaram a Kazan a bordo do Arabella.

Conteúdo extraído dos veículos Ria Nóvosti, RBK, Prime  e Vzgliad

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