“Rússia é parceira, não ameaça”, diz representante da Otan

Secretário-geral da Otan para Investimento na DefesaPatrick Orua

Secretário-geral da Otan para Investimento na DefesaPatrick Orua

Em visita à Rússia, assistente do secretário-geral da Otan para Investimento na Defesa, Patrick Orua, falou sobre as perspectivas mais promissoras na cooperação com Moscou.

Kommersant: Qual é o motivo de sua visita a Moscou?

Patrick Orua: Fui convidado pelo vice-primeiro-ministro russo Dmítri Rogozin. Juntos, visitamos o Fórum Internacional de Tecnologias em Engenharia de Construção 2012, em Jukóvski. À frente da delegação da Otan, participei de uma mesa redonda sobre cooperação técnico-militar entre a Rússia e nossa aliança.

K: Qual sua opinião sobre o potencial militar da Rússia?

 

PO: Não posso fazer uma avaliação adequada, pois estou aqui apenas por alguns dias. O que eu posso é dizer minha intuição sobre isso. Enquanto os países da Otan estão reduzindo seus orçamentos militares  e reestruturando as possibilidades de defesa, o programa militar russo é de grande escala. Essa é uma tarefa bastante difícil nas condições de uma crise econômica. Por isso, é muito cedo para tirar qualquer conclusão, mas me parece que a reforma está indo na direção certa, com a consolidação das capacidades de defesa e foco na aviação estratégica.

K: Alguns membros da aliança estão preocupados com a transferência de tecnologia da Rússia. O que pensar sobre isso?

 

PO: Aqui não se trata de transferência de tecnologia da Rússia para Otan, mas de uma cooperação bilateral com a Federação Russa. O acordo segue todas as normas do direito internacional. Desde que a Rússia e a Otan não representem ameaças uma a outra e tornem-se parceiras, não há nenhum problema na troca de tecnologias.

K: Existe alguma preocupação quanto ao desenvolvimento de novas tecnologias de mísseis balísticos pela Rússia?

PO: A Otan vê a Rússia como um parceiro, não como uma ameaça. Por isso, a aliança não tem nenhuma preocupação com o desenvolvimento de tecnologia de mísseis balísticos. Essa é uma parte importante da estratégia de defesa nacional.

A ameaça vem de países onde essas tecnologias são desenvolvidas em conjunto com programas nucleares. A obtenção de tecnologia nuclear e de mísseis balísticos por governos fora da área euroatlântica é um desafio em comum e um importante motivo para a cooperação entre a Rússia e a Otan.

K: Como você vê as forças da Otan num futuro próximo e qual papel a aliança irá desempenhar na cooperação com a Rússia?

 

PO: Antes de tudo, é preciso fazer uma avaliação mútua e oportuna das ameaças à segurança. Já tivemos uma experiência positiva de cooperação no Afeganistão e, juntos, estamos caminhando para a virada de 2014, quando a ISAF [Força Internacional de Assistência para Segurança, na sigla em inglês] finalmente retirar suas tropas de lá.

Há exemplos de cooperação no setor marítimo também. Por exemplo, recentemente, os navios da força naval de países da Otan pararem em São Petersburgo para uma visita. A cooperação técnico-militar também deve ser promissora. Há muitas coisas que podemos fazer juntos, reforçando a confiança mútua.

K: A Otan está tentando assegurar que cada membro destine 2% do seu PIB à defesa. Os Estados Unidos gastam o dobro dessa quantia, mas os gastos dos membros europeus da Aliança mal chegam à porcentagem desejada. Esse desequilíbrio pode ser superado?

PO: Esse desequilíbrio é consequência de decisões federais. É difícil dizer como será a situação no futuro, tendo em conta o fator de imprevisibilidade da crise econômica. Continuaremos as consultas sobre como aumentar os gastos com defesa em longo prazo, mas isso demanda tempo.

K: Em que áreas os países da Otan vão focar os investimentos?

PO: Em primeiro lugar, para combater as ameaças de segurança, não importa de onde venham. Por isso, a aliança está constantemente envolvida na avaliação conjunta das ameaças que precisam ser combatidas hoje e amanhã. Sem dúvida, entre as áreas prioritárias é preciso incluir, agora, defesa de mísseis e cibernética.

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