Enchentes matam mais de 150 em Krasnodar

Bairro alagado na região de Krasnodar, onde enchentes causaram um estrago estimado em 1 bilhão de rublos Foto: AFP

Bairro alagado na região de Krasnodar, onde enchentes causaram um estrago estimado em 1 bilhão de rublos Foto: AFP

Equipes de socorro de Moscou foram enviadas para resgatar vítimas de alagamento enquanto presidente pede “ação” das autoridades locais. De acordo com os últimos dados do Comitê de Investigação, 153 pessoas morreram na tragédia e cerca de 100 permaneceram hospitalizadas até a manhã de domingo.

Inundações arrasaram o sul da região de Krasnodar durante o final de semana, provocando a morte de, pelo menos, 153 pessoas e grandes danos à infraestrutura local.

Segundo o Ministério para Situações de Emergência, equipes de resgate de Moscou foram enviadas para prestar assistência após o incidente que atingiu mais de 12 mil pessoas.

Um centro da juventude foi convertido em alojamento, onde os moradores desabrigados estão recebendo alimentos, roupas quentes e informação sobre os familiares desaparecidos.

“Na maioria dos casos, as pessoas morreram em suas próprias casas, tentando se esconder do desastre natural”, divulgaram os investigadores em um comunicado.

As autoridades de Krasnodar declararam segunda-feira, 9, dia de luto em homenagem a todos os mortos e disseram que os enterros vão começar a ser realizados no mesmo dia.

As autoridades também prometeram às famílias das vítimas 2 milhões de rublos (US$ 61 mil) dos cofres regionais e federal, e até 100 mil rublos para aqueles que sofreram perdas materiais.

“Ninguém consegue lembrar de nenhuma outra enchente assim. Não aconteceu nada parecido nos últimos 70 anos”, disse o governador de Krasnodar, Aleksandr Tkatchiov, à agência Itar-Tass.

Os residentes de uma cidadezinha próxima, Gelendjik, onde nove pessoas morreram, disseram que no domingo à tarde a situação estava voltando ao normal.

“Está calor e as pessoas estão até nadando”, falou a administradora de hotel Tatiana Nikolaievna ao jornal russo “The Moscow Times”. Moradora do local há 40 anos, Nikolaievna também disse nunca ter visto nada parecido antes.

 

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Tragédia documentada

As inundações aconteceram numa época em que crianças de todo país estão passando férias de verão na região. Somente quatro acampamentos infantis foram atingidos, mas as instalações foram prontamente evacuadas, informou a ministra da Saúde, Verônika Svortsova, à agência Ria Nóvosti.

Os canais de televisão estatais transmitiram depoimentos de testemunhas que tiveram suas casas destruídas, carros levados pela enxurrada e negócios arruinados depois do incidente na última sexta-feira, 6. Em poucas horas o volume de água acumulado foi equivalente à precipitação média de dois meses.

“O nível de água quase atingiu o teto. Não sobrou absolutamente nada”, disse ao Canal Um o dono de café em Krimsk, uma das áreas mais afetadas.

O empresário Oleg Maríguin contou à NTV que metade de seus bens saíram boiando e, por isso, teve que ficar de guarda dia e noite do lado de fora de sua propriedade, para afastar os ladrões que saqueavam os destroços.

Sete moradores locais foram pegos roubando objetos neste domingo, segundo a polícia.

 

Resposta de cima

As inundações de Krasnodar representam o primeiro grande desastre na Rússia desde que Vladímir Pútin retornou ao Kremlin em seu terceiro mandato como presidente.

Durante uma reunião na noite de sábado em Krimsk, Pútin questionou os governantes regionais sobre a resposta ao desastre e exigiu ação após sobrevoar as áreas afetadas em um helicóptero.

“O chefe do Comitê de Investigação irá verificar as iniciativas tomadas pelas autoridades – como o alerta foi dado, quando, como deveria ter sido feito e a reação dos governantes”, disse Pútin, de acordo com uma transcrição publicada no site do Kremlin.

Mais tarde, o principal investigador do país, Aleksandr Bastrikin, chegou à região e abriu um caso criminal sob alegação de morte por negligência.

Pútin também ordenou que as autoridades locais monitorem o reservatório Neberdjaievskoie depois de blogueiros e políticos da oposição usarem as mídias sociais para culpar as autoridades pela enchente. Segundo eles, o incidente seria um “tsunami” provocado pelas autoridades que liberaram água rapidamente do reservatório.

Ceticismo à prova

 

“Os carros na rua estavam sendo levados por um onda gigante! Meu amigo viu isso e só conseguiu se salvar porque subiu no segundo andar de sua casa. Isso não é chuva”, publicou o usuário do Twitter @Estraniero.

O líder do partido Iábloko, Serguêi Mitrokhin, estava igualmente cético quanto à versão das autoridades sobre os acontecimentos.

“O número oficial de vítimas das inundações está provavelmente sendo subestimado”, escreveu Mitrokhin em seu Twitter. “Os moradores locais confirmaram que às 2 horas da manhã as comportas do reservatório foram abertas.”

Neste domingo, os investigadores negaram que o reservatório pudesse ter causado o alagamento. Segundo eles, nenhum grande escapamento de água foi detectado e, portanto, as investigações não levariam esse cenário em conta.

Além das mortes, a inundação também causou grandes estragos na infraestrutura da relativamente afluente região de Krasnodar.

O sistema viário, de telecomunicações, drenagem, abastecimento de energia e água potável foram interrompidos.

Segundo o canal de TV estatal Canal Um, os prejuízos poderiam contabilizar mais de 1 bilhão de rublos (US$ 30 milhões).

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