Problema dos lixões é montanhoso

Foto: TASS

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Com crescimento econômico do país, cidadãos russos estão produzindo cada vez mais lixo. Aterros sanitários crescem rapidamente e depósitos ilegais surgem por todo o país, danificando florestas e plantações agrícolas.

A Rússia recebeu um alerta de que precisará dobrar a capacidade de seus aterros sanitários até 2025 se a tendência atual de produção continuar no mesmo ritmo. 


Um relatório da Corporação Financeira Internacional (IFC, na sigla em inglês) do Banco Mundial, publicado há uma semana, pede que as autoridades reduzam em 45% a quantidade de resíduos depositados em aterros sanitários, combinando reciclagem e “recuperação de energia”, isto é, o uso de lixo como combustível.


“A Russia está produzindo uma quantidade excessiva de lixo”, diz Aleksandr Larionov, principal autor do relatório e funcionário de operações no Programa de Produção Mais Limpa da Rússia, promovido pelo IFC.


“Esses enormes volumes acabam indo parar em lixões a céu aberto, que poluem o solo, destroem o habitat, contaminam lençóis freáticos e geram doenças infecciosas. Um número cada vez maior de regiões está começando a vivenciar esses problemas”, completa.


Em média, cada cidadão russo produziu 330 quilos de lixo em 2011, em comparação aos 200 quilos per capita em 2010, de acordo com dados do IFC. A expectativa da organização é que esse número salte para 500 quilos até 2025, elevando a Rússia à média europeia atual. 


Estimar o atual volume de negócios envolvendo a gestão de resíduos na Rússia é difícil devido às grandes diferenças de tarifas para recolhimento nas diversas regiões do país, afirma o IFC.  No entanto, o mercado poderia valer U$ 2,5 bilhões se o governo aumentasse a reciclagem e a prática de recuperação de energia, estimam os analistas do IFC, embora seja necessário fazer um investimento prévio de 40 bilhões de euros para modernizar a decadente infraestrutura russa.


De acordo com o IFC, três de cada dez aterros russos não atende aos padrões sanitários oficiais. Paralelamente, até 70% da “infraestrutura de gestão de resíduos” – latas de lixo, contêineres, caminhões, estações de triagem e aterros sanitários – é obsoleta e precisa ser substituída.  


Grupos ambientalistas afirmam que o problema é subestimado. “A situação é catastrófica”, afirma Aleksêi  Kiseliov, do Greenpeace. 


“Não concordo que [apenas] 30% dos aterros são inadequados. Eu diria que 99% deles estão em tais condições”, completa.


Os ativistas também estão preocupados com a quantidade excessiva de aterros ilegais que estão surgindo por todo o país.


Autoridades russas anunciaram em abril que, desde agosto do ano passado, encontraram 22.243 aterros ilegais, cobrindo uma área total de 8.728 hectares. 


Segundo os dados apresentados, 58% estavam em áreas de conservação de água, 15% em terrenos agrícolas e outros 15% em florestas. 


O Ministério do Meio Ambiente e Recursos Naturais disse ter eliminado 61% desses depósitos ilegais e aplicado multas num valor total de 25 milhões de rublos. 

Políticas recicladas


Cerca de 95% do lixo acaba indo parar em aterros sanitários, de acordo com o relatório do IFC. O resto é incinerado ou reprocessado por um pequeno setor de reciclagem no interior do país, fora do controle das autoridades locais.
Com a aproximação russa dos hábitos de consumo da Europa Ocidental, o IFC espera que o país possa imitar também os níveis de reciclagem europeus.


O IFC está pedindo à Rússia que recupere 45% de seu lixo urbano até 2020, sobretudo por meio de reciclagem. O restante deve ser incinerado, gerando energia.


Grandes cidades como Moscou e São Petersburgo devem tentar recuperar 70% do lixo produzido, segundo o IFC, enquanto regiões menos povoadas da Sibéria e do Círculo Ártico poderiam reciclar apenas de 10% a 20% da produção local. 


Alcançar esse objetivo salvaria 200 milhões de toneladas métricas de lixo até 2025, estima o IFC, gerando combustível e evitando que o solo e matérias-primas sejam contaminados. 


Especialista em proteção ambiental no Ministério do Meio Ambiente e Recursos Naturais, Nikolai Mefedev, diz que o relatório do IFC não levou em consideração as medidas que o governo está atualmente tomando para melhorar a situação. 


Entre elas, estão o fechamento de lixões e a revisão de uma lei sobre produção e consumo cujo objetivo é aperfeiçoar a gestão de resíduos, criando novas organizações autorregulatórias de gestão de lixo. 


Uma nova versão da lei foi aprovada em primeira leitura na semana passada e poderia entrar em vigor em 1˚ de agosto. 


“Hoje o país não possui infraestrutura para aumentar a reciclagem”, afirma Mefedev. 


Em dezembro, o então ministro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais, Iúri Trutnev, disse que os aterros sanitários poderiam continuar sendo o principal destino do lixo num futuro próximo.


“A reciclagem não gera lucros, e a Rússia não está pronta para fazer a separação do lixo”, afirmou Trutnev em uma coletiva. 

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