Coprodução russa recebe prêmio da crítica em Cannes

Foto: Festival de Cannes

Foto: Festival de Cannes

Dirigida pelo ucraniano Serguêi Loznitsa, coprodução russa venceu o Prêmio Internacional da Crítica no Festival de Cannes, que se encerrou neste domingo (27).

No último sábado (26), o júri da FIPRESCI (Federação Internacional de Imprensa Cinematográfica) entregou ao cineasta ucraniano Serguêi Loznitsa o Prêmio Internacional da Crítica pelo filme “V Tumane” (do russo, "No nevoeiro").

O longa-metragem de pouco mais de duas horas é uma coprodução entre Rússia, Alemanha, Bielorrússia, Letônia e Países Baixos baseada em um romance de Vassíli Bikov. 

Segundo Loznitsa, “V Tumane” trata não a guerra, mas pessoas em situações extremas. 

“A guerra serve de pano de fundo e confere ao filme um cenário particular. A ação poderia acontecer em qualquer lugar e momento. O que quis mostrar foi que em certas situações um homem não pode fazer nada”, disse o diretor durante coletiva de imprensa.  

No contexto da Segunda Guerra Mundial, Loznitsa quis enfatizar o conflito entre pessoas de uma mesma região. “Em certos casos, a completa falta de compreensão entre as pessoas impede que se chegue a um consenso. Há fatos que impossibilitam qualquer justificativa ou diálogo. Foi esse tipo de história que quisemos contar”, diz. 

O filme e a guerrilha

A narrativa se desenrola em 1942 na Bielorrússia ocupada por nazistas. Detido por soldados alemães, um caminhoneiro é libertado algum tempo depois. Após ser interrogado por guerrilheiros soviéticos, é acusado de traição. 

Dois de seus amigos são encarregados de executá-lo, mas ao conduzi-lo a um bosque para matá-lo, o grupo guerrilheiro é atacado. Isso dá ao protagonista uma oportunidade de provar sua inocência.

Ambientado em paisagens de grande beleza natural, o filme “V Tumane” conta com excelente fotografia. O tratamento de áudio, uma constante nas obras de Loznitsa, também contribui para a atmosfera intensa e opressiva. 

Ucraniano, porém nascido na Bielorússia, o diretor Serguêi Loznitsa vive atualmente na Alemanha. Documentarista de longa data, essa é sua segunda participação no Festival de Cannes. A primeira foi em 2010, com o polêmico “Stchastie moiô” (do russo, “Minha felicidade”), que dividiu a opinião da crítica.

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