Energia nuclear resiste a Fukushima

Até 2030, podem surgir 350 novos geradores nucleares. Foto: wikipedia.org

Até 2030, podem surgir 350 novos geradores nucleares. Foto: wikipedia.org

Acidente em usina nuclear japonesa após desastres naturais abalou o setor, mas países se mostram dispostos a manter seus programas.

O acidente de Fukushima poderia ter dado fim à história da energia nuclear. Mas, de acordo com estatísticas da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica), o número de países dispostos a implementar seus próprios programas nucleares para fins pacíficos não diminuiu.Mais do que isso, países europeus, árabes e asiáticos anunciaram recentemente planos de construir novas usinas nucleares. 

Mais de um ano depois do acidente de Fukushima, gera indignação a afirmação da AIEA de que até 2030 podem ser instalados 350 novos blocos geradores pelas usinas nucleares do mundo todo. Apesar da ligeira desaceleração nas taxas de crescimento das capacidades de geração nuclear após os acontecimentos no Japão, essas continuam impressionantes.

A causa do acidente de Fukushima não tem nada a ver com a segurança e confiabilidade da energia nuclear. Os reatores nucleares da central japonesa resistiram ao terremoto e ao tsunami e foram vítimas da negligência humana. Até o ano passado, especialistas japoneses haviam descartado qualquer possibilidade de um acidente grave na usina. Quando esse ocorreu, eles não conseguiram reagir a tempo, nem pôr em ação o sistema de resfriamento da zona dos reatores devido ao corte da energia elétrica provocado pelo tsunami. 

“Em 1992, visitei várias instalações nucleares do Japão, entre as quais uma usina nuclear, onde nos foi mostrado um simulador para o treinamento de operadores em situações de risco”, conta o diretor do Ibrae (da sigla em russo, Instituto de Desenvolvimento Seguro da Energia Atômica da Academia de Ciências da Rússia), Leonid Bolchov. “Quando perguntamos sobre simulações de acidentes graves, eles nos disseram que nãovalia a pena mostrar à opinião pública que a possibilidade de acidentes graves existia”, afirma Bolchov.

“Aliás, nas primeiras horas após o acidente na usina japonesa, os especialistas do Ibrae previram com exatidão como iriam se desenrolar os acontecimentos em Fukushima-Daiichi-1 – como o combustível iria se fundir nos blocos geradores de energia e nas piscinas de refrigeração e como seria o nível de contaminação radioativa no território do Japão e no oceano. Suas previsões, inclusive aquelas para o ano seguinte, se realizaram”, completa. 

Especialistas russos não perderam tempo e desenvolveram sistemas de proteção passiva, inclusive um apanhador especial para a contenção de combustível fundido, e outros sistemas de segurança para o novo bloco gerador de energia Aes-2006, de terceira geração, instalado pela companhia de energia nuclear russa Rosatom em novas centrais nucleares da Rússia e de outros países.

 
O novo bloco já foi instalado na usina nuclear indiana Kudankulam, a ser inaugurada neste ano, e na turca Akkuyu, cuja construção não foi interrompida nem por um só dia, mesmo depois do acidente de Fukushima.

 
A Rússia, primeira a construir uma usina nuclear civil no mundo, desenvolve novas tecnologias de uso de energia nuclear para a geração de energia elétrica. Além disso, a estatal Rosatom investe ativamente no desenvolvimento de novas plataformas, mais seguras e eficientes, e em projetos para evitar a poluição do meio ambiente e reciclar o combustível usado e os resíduos radioativos. 

O Brasil também faz parte do clube dos países nucleares e juntos, os dois têm um vasto leque de vertentes interessantes para a cooperação na energia nuclear no âmbito do Brics, onde têm papel de destaque. A cooperação russo-brasileira pode ser crucial para a criação de uma fonte de energia eficiente e segura para a humanidade.

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