Na Rio+20, Medvedev pede equilíbrio entre economia e meio ambiente

Antes de partir, Medvedev apreciou a vista do Pão de Açúcar Foto: ITAR-TASS

Antes de partir, Medvedev apreciou a vista do Pão de Açúcar Foto: ITAR-TASS

O primeiro-ministro da Rússia, Dmítri Medvedev, discursou na tarde desta quinta-feira (21), segundo dia de reunião dos chefes de Estado na Rio+20. Na plenária da conferência, falou sobre os planos da Rússia para uma economia verde e, frente à crise internacional, destacou a necessidade de um equilíbrio entre crescimento econômico e proteção ao meio ambiente.

“A sociedade, a economia e a natureza estão vinculadas, e precisamos de um novo modelo de desenvolvimento que promova o bem-estar da sociedade sem grandes pressões sobre o meio ambiente”, disse o premiê.

 
A melhor resposta à crise, segundo ele, seria “estabelecer condições que propiciem bons negócios, principalmente para pequenas e médias empresas, além de criar um modelo sustentável de consumo, que permita um crescimento estável e, assim, enfrente as ameaças contra o meio ambiente”.

Dmítri Medvedev (à esq.) com o vice-presidente do Brasil, Michel Temer (à dir.) Foto: government.ru

Medvedev acrescentou que somente juntos os países podem tornar o mundo mais amigável para as gerações futuras. “A Rússia tem seguido esse caminho e conseguimos muito no que diz respeito aos objetivos do milênio. Mas todos nós podemos fazer mais”, declarou.

Ele defendeu que cada país estabeleça seu próprio plano contra a mudança climática. “Cada Estado deve seguir seu próprio plano de desenvolvimento, e a ONU e as instituições financeiras internacionais devem desempenhar papel de destaque”, disse.“O que acumulamos em danos ambientais durante o período soviético, estamos tentando remediar com a ajuda de parcerias público-privadas e ONGs”, acrescentou. 

Corrida contra o tempo

De acordo com o primeiro-ministro russo, o país conseguiu reduzir o nível de pobreza nos últimos anos em um ritmo duas vezes e meio maior em comparação com o dos anos 1990.

Medvedev tem dia de programação intensa na Rio+20

O primeiro-ministro russo chegou na madrugada de quinta-feira ao Rio de Janeiro.Durante a manhã, Medvedev manteve encontros bilaterais com representantes da Noruega, Suíça, Cabo Verde, Equador e Turcomenistão. 

O almoço aconteceu em tenda externa do Riocentro junto com a presidente Dilma Rousseff e outros líderes, durante cerimônia em homenagem aos chefes de Estado. Em seguida, Medvedev manteve diálogos bilaterais com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e com o vice-presidente do Brasil, Michel Temer. Na sequência, foi a vez de Medvedev fazer um discurso na plenária da Rio+20.  

Antes de deixar o Brasil, na madrugada de sexta-feira, o presidente aproveitou para visitar um dos principais cartões postais do Rio de Janeiro, o Pão de Açúcar, e jantar em uma churrascaria. Em seu perfil no Facebook, foram postadas fotos feitas no entorno do aeroporto e na orla da zona sul carioca.

Ao comentar sobre a crise econômica na Europa, Medvedev também destacou a atuação da diplomacia do país na cúpula do G20. “Fizemos esforços nos programas e projetos comuns para a prevenção de uma nova recessão global e investimos recursos no Fundo Monetário Internacional. Acredito que isso ajude muitos países a lidar com os problemas futuros”, disse.

Segundo ele, a Rússia pode assumir um papel de liderança no desenvolvimento sustentável e na segurança alimentar. “Estamos mantendo nossas responsabilidades, principalmente em relação ao protocolo de Kyoto”, acrescentou, citando o acordo internacional que entrou em vigor em 2005 e propõe metas de redução de emissão de gases do efeito estufa.

O premiê ainda definiu a Rússia como “um doador ambiental com recursos naturais significativos”. “Acreditamos que é importante dar atenção ao desenvolvimento sustentável das grandes cidades. Atualmente, estamos desenvolvendo programas de energias renováveis para os centros urbanos”, afirmou.

Sustentabilidade em debate

Os cerca de cem chefes de Estado e de governo reunidos na Rio+20 mantiveram nesta quinta-feira uma série de discussões em mesas-redondas sobre o documento final a ser anunciado por eles na sexta, data oficial de encerramento da conferência.

Entre as principais metas está a transição para a chamada “economia verde”, que propõe um novo sistema produtivo, com base na baixa emissão de gases de efeito estufa, no uso eficiente dos recursos naturais e na inclusão social.
Um dia antes, cerca de 50 mil manifestantes tomaram as ruas do Rio de Janeiro em protestos contra a Rio+20. Ativistas e ONGs criticaram essa proposta, em defesa de “bens comuns e dos direitos dos povos”.

A Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável, batizada de Rio+20, marca os 20 anos da Eco-92, a cúpula sobre meio ambiente que aconteceu no Rio de Janeiro em 1992. 

O evento reúne chefes de Estado e de governo e entidades da sociedade civil para debater os principais temas, convenções e recomendações resultantes da Eco-92. Entre eles, estão a Declaração do Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento; a Agenda 21 e as convenções sobre Mudanças Climáticas, Biodiversidade e Combate à Desertificação.

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