Os 200 anos da batalha de gigantes

Neste mês, Moscou recebe descendentes de soldados e oficiais russos da guerra de 1812 Foto: Divulgação

Neste mês, Moscou recebe descendentes de soldados e oficiais russos da guerra de 1812 Foto: Divulgação

Neste ano, a Rússia comemora o bicentenário da guerra contra as tropas napoleônicas. Por meio de vários eventos espalhados por Moscou, iniciativa pretende reavivar o espírito nacionalista dos russos.

A guerra da Rússia contra Napoleão em 1812 é considerada um dos acontecimentos centrais da história. Até a Primeira Guerra Mundial, a chamada Campanha da Rússia era o maior confronto militar da humanidade.


Nos campos de batalha estava em jogo o destino de muitos países e povos. A Rússia era o último obstáculo no caminho de Napoleão para estabelecer seu domínio sobre a Europa e, possivelmente, sobre o mundo inteiro. 



Apenas 10% dos 600 mil soldados do exército frânces sobreviveram

Cerca de 100 mil soldados russos morreram nos nos combates

Tratava-se de uma gigantesca operação militar organizada sob o comando do imperador francês Napoleão Bonaparte e seus aligados, e seu desfecho marcou o início do declínio do Primeiro Império Francês.

O objetivo era punir a Rússia por ter quebrado Bloqueio Continental, isto é, a determinação de Napoleão de nenhum país manter relações comerciais com a Inglaterra.

Se os franceses e seus aliados tivessem conseguido transformar a Rússia em país satélite, não temeriam mais a ameaça da Grã-Bretanha e conseguiriam tranquilamente planejar sua expansão Ásia adentro.

Antes de mais nada, 1812 representa o triunfo do Estado russo. Barrando as ideias revolucionárias trazidas à Europa pelo exército napoleônico, a Rússia preservou a ordem  internacional existente.

O enfraquecimento da posição russa no cenário internacional após a queda da União Soviética foi marcante e o 200º aniversário da Guerra de 1812 mostra-se, então, a desculpa ideal para a liderança do país declarar mais uma vez suas prioridades políticas internas e externas.

Soldados para exportação


A Campanha de 1812 teve ampla repercussão em todo o mundo. A ocupação da Espanha e de Portugal estimulou os conflitos por independência em suas colônias na América Latina. Após a derrota das tropas francesas, milhares de ex-soldados e oficiais de Napoleão foram para a América Latina lutar ao lado dos seguidores de Bolívar e Miranda.


Além do mais, diante da atual crise das instituições internacionais e à diminuição do papel da Rússia nos assuntos internacionais, as tentativas de relembrar o passado histórico glorioso assumem especial relevância.

Em grande estilo


Em 2009, a Rússia instituiu uma comissão governamental para os preparativos da comemoração dos 200 anos da vitória da Rússia sobre Napoleão em 1812. Presidida pelo então presidente Dmítri Medvedev, o grupo era composto por membros do governo federal, governadores regionais, diretores de órgãos de comunicação, e representantes de meios científicos e culturais.

Um anos depois, proeminentes figuras públicas formaram um Conselho Público para prestar assistência às autoridades do país na organização das solenidades, cujo orçamento total chegou a pouco mais de US$ 100 milhões.

As atividades comemorativas centrais serão realizadas em um campo perto da aldeia de Borodinó, na região de Moscou. Há 200 anos, o local foi palco de um intenso confronto entre os exércitos russo e francês, e, mesmo não tendo um vencedor, vitimou aproximadamente 80 mil homens, entre mortos e feridos.

Principais eventos


No início de setembro, mais de 3 mil pessoas irão vestir o uniforme original russo e francês da época para fazer parte de uma ambiciosa reconstrução da Batalha de Borodinó para 300 mil espectadores.

Além do já existente Museu Panorama Batalha de Borodinó, perto da Praça Vermelha, que expõe ao público uma pintura circular de 115 metros de comprimento representando o culminar da grande batalha, será inaugurado mais um museu dedicado à Campanha de 1812.

Como não podia falar, o Kremlin de Moscou também tem dará sua contribuição, mesmo porque o local tem papel importante nos acontecimentos ocorridos há 200 anos. Napoleão entrou no Kremlin em 14 de setembro de 1812, após a retirada do exército russo, e passou dois dias na fortaleza esperando em vão que os russos se rendessem.

Batalha na Rede 


Além dos eventos presenciais, foram criados diversos projetos on-line dedicados à Guerra de 1812. Um deles já está disponível no site do Ministério da Defesa russo e relata a história das guerras napoleônicas e do uniforme russo militar russo de 1812. No final de setembro, a Biblioteca Nacional Russa irá, ainda, inaugurar um site para divulgar publicações eletrônicas sobre esse conflito

Para relembrar a história, os museus do Kremlin organizaram uma excursão temática e os visitantes têm a possibilidade de entender o que se passou ali.

Está programada para 28 de julho, a largada de uma marcha equestre Moscou-Paris envolvendo descendentes dos cossacos que lutaram contra as tropas napoleônicas. Montando cavalos da mesma raça usada por seus antepassados na guerra contra Napoleão, os cavaleiros passarão pela Rússia, Bielorrússia, Polônia, Alemanha e França.

As comemorações só chegarão ao fim no dia 25 de dezembro, exatamente 200 anos após a publicação do manifesto oficial que anunciava a expulsão definitiva do exército napoleônico da Rússia.

Nessa data, haverá uma missa solene em homenagem à vitória da Rússia na Catedral de Cristo Salvador, seguida por um encontro oficial no Teatro Bolshoi.

Aleksandr Verchínin é historiador e secretário para os assuntos científicos do Centro de análise de problemas e previsões para a administração pública


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