Maridos entram nos classificados

Esse tipo de serviço é normalmente cobrado por hora Foto: Getty Images/Fotobank

Esse tipo de serviço é normalmente cobrado por hora Foto: Getty Images/Fotobank

Como em outras partes do mundo, as moscovitas estão aderindo ao disque-marido para realizar serviços de casa por um custo menor que profissionais.

É o famoso “faz-tudo”. Ou pelo menos é como qualquer um poderia descrevê-los. Na Rússia, entretanto, são chamados de “maridos por uma hora”. Uma tendência que está se tornando popular sobretudo em Moscou, onde a moda dos “maridos de aluguel” ganha espaço especialmente entre mulheres solteiras e donas-de-casa. Mas também entre os aposentados.

Por trás desse nome simpático escondem-se, na verdade, homens relativamente jovens que se prestam a desempenhar aquelas tarefas de casa que as mulheres não estão acostumadas a fazer sozinhas.

Isto é, consertar a pia, instalar um novo guarda-roupas, pintar as paredes já amareladas ou encher as rodas de carros e bicicletas. Todos esses trabalhos que, de um modo geral, são – por tradição, preguiça ou costume – designadas ao marido.

Mas quando esse não existe, não tem vontade ou até mesmo não consegue fazer o serviço, entra em ação o que muitos moscovitas (ou melhor, muitas moscovitas) chamariam de “marido de aluguel”.

Páginas verde-amarelas


Importada dos Estados Unidos, a ideia também chegou ao Brasil há alguns anos e está ganhando cada vez mais adeptos. Para comprovar, basta digitar o termo “marido de aluguel” em qualquer site de busca. Milhares de anúncios saltarão na tela, com serviços que abrangem diversas especialidades, como as de encanador, eletricista, carpinteiro e até mesmo pedreiro.  



Em anúncios on-line, e às vezes em panfletos soltos pelos vagões do metrô, os maridos de aluguel se autopromovem como for possível.

“As pessoas conseguem meu telefone por conhecidos e parentes. Já tentei anúncio em um monte de sites da internet, mas percebi que o método de publicidade mais eficaz é, sem dúvida, o boca a boca”, conta Aleksandr Dudkin, 38.  Proveniente de Baku, Dudkin vive em Moscou desde 1994, onde há um tempo começou a fazer bicos desse tipo.

Apesar do preço certamente mais vantajoso do que verdadeiros profissionais, a qualidade do serviço, pode, segundo algumas pessoas, deixar um pouco a desejar.

“Na verdade, para os trabalhos mais simples basta um pouco de prática. E o resultado é o mesmo daquele que poderia fazer um encanador ou carpinteiro”, diz Dudkin.

“Não sou inscrito em nenhuma organização”, completa. “Simplesmente notei essa tendência e pensei que poderia fazer isso para ganhar algum dinheiro”.

Pela sua experiência, contudo, o ganho não é muito. “O lucro depende um pouco do cliente, um pouco da sorte. Tem dias que recebo diversas chamadas. Outras vezes posso ficar semanas inteiras sem serviço algum”, diz.

O pagamento também é certamente inferior àquele cobrado por um profissional. Segundo Dudkin, o valor mínimo é dois mil rublos (cerca de 60 dólares) para os trabalhos mais simples.

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