A nata do Oriente

Encontro da SCO marca aproximação entre Rússia, China e Afeganistão Foto: Reuters

Encontro da SCO marca aproximação entre Rússia, China e Afeganistão Foto: Reuters

O Afeganistão foi integrado à Organização de Cooperação de Xangai (SCO, na sigla em inglês) como membro observador e a Turquia, como parceiro para diálogo. Esses são os resultados preliminares de uma cúpula de dois dias da SCO realizada em Pequim. Além disso, a China demonstrou desejo de transformar a região da SCO em uma ilha de prosperidade face à nova possibilidade de crise mundial.

Nos dias 7 e 8 de junho, os líderes do Afeganistão, Irã, Índia, Paquistão, Turcomenistão, Mongólia e da Turquia, além dos Chefes de Estado dos países-membros (China, Cazaquistão, Quirguistão, Rússia, Tadjiquistão e Uzbequistão), participaram da recente cúpula da SCO.  

O encontro aconteceu algumas semanas depois da cúpula da Otan em Chicago dedicada principalmente ao tema afegão. Os países da aliança ocidental haviam discutido o plano de ação após a retirada de suas tropas do Afeganistão prevista para 2014.   A situação no Afeganistão também foi um dos temas centrais da agenda da cúpula da SCO. Para tanto, a organização garantiu a esse país a condição de observador, igualando-o assim em direitos aos outros membros do mesmo escalão, como Irã, Paquistão, Índia e Mongólia.  

O fato de o Afeganistão ter sido admitido na SCO precisamente neste momento parece muito importante. Embora a ideia fosse considerada há alguns anos, o governo de Cabul não tinha pressa, pois sabia que sua associação com centros de força como a China e a Rússia não seria bem vista por Washington.   A cúpula de Pequim aprovou uma declaração sobre paz e prosperidade duradouras na região. O estilo do documento revela o dedo na China e o desejo desse país de assumir o patrocínio da região diante da possibilidade de uma nova crise mundial.  

Além disso, o ex-governador da Região de Irkutsk, na Rússia, Dmítri Mézentsev, foi nomeado secretário-geral da SCO, devendo assumir suas novas funções em janeiro de 2013.

Mudança de perspectiva

No ano passado, quando o futuro formato das relações com os EUA ficou claro, o presidente afegão, Hamid Karzai,  foi convidado a participar regularmente das reuniões da SCO, sobretudo porque a integração ao grupo promete apoio financeiro e político dos países mais influentes do Oriente.  

“Vamos continuar resolvendo nossos problemas regionais sozinhos e nos defendendo contra os choques provocados pela instabilidade fora da região. Também queremos desempenhar um papel importante na promoção do processo de paz no Afeganistão”, disse o presidente chinês, Hu Jintao, em entrevista ao jornal local Renmin Ribao.

“Vamos reforçar nossa comunicação e cooperação com o Afeganistão na abordagem de importantes questões da agenda internacional e regional”, completou.   Se o convidado regular de cúpulas da SCO, Hamid Karzai, foi promovido à função de observador, outro parceiro de longa data, o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, empenhado há muitos anos em obter a condição de membro de pleno direito da SCO, não teve seu desejo realizado.  

Segundo o regulamento de admissão de novos países-membros, um país sob sanções da ONU (Organização das Nações Unidas) não pode ser integrado à organização na posição almejada.  

Prêmio de consolação

O presidente Ahmadinejad, cujos calorosos discursos sobre o "Satanás mundial", em referência ao imperialismo norte-americano, e o "regime sionista" de Israel costumam ser um presente para a imprensa credenciada para as reuniões da SCO, participou de uma série de encontros bilaterais, inclusive com o presidente russo Vladímir Pútin.  

 De acordo com o assessor da presidência russa para assuntos internacionais, Iúri Uchakov, o encontro teve especial importância especial para as próximas negociações multilaterais sobre a problemática iraniana previstas para os  dias 18 e 19 de junho em Moscou.

“Insistimos que é necessário reconhecer o direito do Irã de desenvolver seu programa nuclear para fins pacíficos sob um rígido controle da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica)”, diz Uchakov.  

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