Programadores do futuro

Foto: PhotoXpress

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Alunos da Universidade de TI, Mecânica e Ótica de São Petersburgo vencem concurso internacional de programação pela quarta vez.

O time de estudantes da Universidade de Tecnologias de Informação, Mecânica e Ótica de São Petersburgo conquistou a medalha de ouro do concurso mundial de programação, tornando-se a única equipe vencedora de quatro títulos mundiais na história do campeonato. 


A etapa final do torneio foi disputada em Varsóvia no dia 18 de maio. A revista russa “Rússki Reporter” conversou com o capitão do time russo, Evguêni Kapun, sobre o que é preciso para se tornar o melhor do mundo e o que devemos esperar dos chineses. 


Rússki Reporter: Como funciona o torneio?


Evguêni Kapun: O campeonato acontece em uma grande sala cheia de mesas equipadas com computadores. Neste ano, 112 equipes do mundo inteiro participaram do concurso, e havia cinco horas para resolver um conjunto de 12 problemas complexos. Uma pessoa despreparada levaria provavelmente um dia para resolver um deles. Nossa equipe conseguiu resolver apenas 9. Era necessário escrever um programa para cada problema apresentado.


RR: Que tipos de problemas foram apresentados? 


EK:  Em um deles a gente precisava dispor centrais de ambulância em determinada cidade de modo que o percurso levasse o menor tempo possível. Isso sem nos oferecer o mapa da cidade. Para testar nossa solução, o júri colocava condições específicas e testava o programa apresentado. A resposta correta deveria sair em dois segundos. Em caso de erros, o júri permitia fazer correções, cobrando, contudo, uma multa de 20 minutos por cada tentativa. Por isso, era necessário oferecer soluções rápidas e de qualidade.

RR: Como as funções estão distribuídas dentro do time? 

EK: Depende. Às vezes cada um dos integrantes da equipe resolve individualmente um problema; em outras, conjugamos os esforços. Essa última opção acontece geralmente com os problemas no final da prova, pois são muito complicados para solucioná-los individualmente. É muito importante distribuir corretamente as funções entre os integrantes do time, já que temos apenas um computador para digitar a solução obtida. 

RR: Qual preparo necessário para as provas?


EK: Muito treino, tanto em grupo quanto individual. O técnico Andrêi Stankévitch treina equipes de programadores há muito tempo. Temos em nossa universidade uma dúzia de times que participam regularmente dos treinos. Na verdade, para replicar a situação de prova, basta ter computadores. 

RR: Na sua opinião, qual foi o adversário forte? 

EK: Nossos principais adversários são os chineses. Eles atuam bem e sempre trazem times diferentes. Normalmente, a gente se depara com eles só na fase final, por isso, não temos a possibilidade de conhecer a equipe de antemão. No campeonato deste ano, contudo, a China teve um desempenho pior do que o esperado e teve de se contentar com o quarto lugar, enquanto os poloneses conquistaram a medalha de prata. 

RR: Mudando um pouco de assunto, as perspectivas de educação em tecnologias de informação na Rússia são boas? 


EK: Infelizmente, o número de pessoas capazes de mostrar bons resultados nessa área é extremamente pequeno. Por razões desconhecidas, os jovens não querem mexer com programação. Muitas universidades, poucos especialistas. Se mais pessoas soubessem sobre essas provas e competissem nelas, haveria, talvez, mais especialistas no país. Hoje, muitos deles simplesmente não têm onde revelar suas capacidades e acabando trabalhando em outras áreas.

RR: Como essas tecnologias poderiam transformar nossas vidas? 


EK: Elas poderão facilitar muito as coisas. Na verdade, já estão fazendo isso. As pessoas consideram completamente normal usar seu telefone celular para ver, digamos, mapas ou programação de cinema. Acho que, no futuro, não precisaremos mais levar conosco documentos de identidade. Cada cidadão terá um cartão eletrônico contendo todos seus dados pessoais, por exemplo. 

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