Criadores russos lançam ferramenta antipirataria

Dmítri Chuvaev, Andrêi Klimenko e Aleksêi Klimenko descobriram uma maneira de interromper a troca de arquivos na internet  Fonte: Press Photo

Dmítri Chuvaev, Andrêi Klimenko e Aleksêi Klimenko descobriram uma maneira de interromper a troca de arquivos na internet Fonte: Press Photo

Criadores do Pirate Pay, uma startup de Perm, afirmam ser capazes de brecar o download ilegal de arquivos na internet. Só resta aguardar para ver quão bem sucedidos serão na comercialização do sistema.

Em 2009, os irmãos Andrêi e Aleksêi Klimenko e seu amigo Dmítri Chuvaev criaram uma ferramenta para administrar o tráfego de troca de arquivos para um provedor de acesso à internet. Pouco tempo depois, os jovens de vinte e poucos anos perceberam que o aplicativo criado possuía algumas oportunidades não planejadas, porém significativas para proteção à propriedade privada.

 

“Depois de criar o protótipo, percebemos que poderíamos prevenir o download de arquivos, indicando que o programa representava uma grande promessa no combate à propagação de conteúdo pirata”, diz Andrêi Klimenko, atual diretor executivo da Pirate Pay, empresa criada pelo trio.

A nova tecnologia impede o compartilhamento de arquivos em redes de torrent, sistemas chamados peer-to-peer (p2p) que permitem a transferência de grandes quantidades de dados entre indivíduos.

Dmítri Chuvaev


Diretor de desenvolvimento

27 anos

Formado em Administração

 

Dmítri terminou seus estudos na unidade de Perm da Escola Superior de Economia de Moscou em 2004, especializando-se em desenvolvimento de start-ups de TI com a intenção de vendê-las posteriormente a grandes companhias. Mais tarde passou a trabalhar em um estúdio de design comercial e um empresa de telecomunicação.

Depois do primeiro usuário disponibilizar um arquivo a uma rede acessível, o conteúdo não permanece em nenhuma localidade central, mas pode ser acessado pelas pessoas que já o acessaram.

Para fazer baixar o arquivo, contudo, esses usuários secundários devem saber o endereço de I.P. de um computador que possua o arquivo. Sem essa informação, a conexão é finalizada e o arquivo não pode mais ser baixado. Chuvaev e os irmãos Klimenko descobriram um meio de evitar que esses downloads secundários fossem realizados quando o endereço de I.P. é conhecido.

“Não é tão difícil fazer isso dentro da rede de um provedor de acesso à internet. Mas para transformar a tecnologia em um serviço global, tínhamos que convencer todos os provedores a adquirir nossa solução. Isso é o que poderia ser chamado de missão impossível. Então, para criar um serviço global, tivemos que descobrir uma forma de fazê-lo remotamente”, explica Andrêi Klimenko. “Precisávamos do dinheiro para o desenvolvimento.”

Aleksêi Klimenko


Fundador, diretor de tecnologia

28 anos

Formado em Física

Depois de se formar me Física pela Universidade do Estado de Perm, Aleksêi trabalhou como engenheiro e também no setor de vendas e gestão no setor de telecomunicações local. Antes do Pirate Pay, esteve envolvido na implementação de serviços de ponta para clientes de telecomunicação.

 Os sócios rapidamente descobriram que obter o apoio financeiro necessário para aperfeiçoar a tecnologia e transformá-la em um negócio bem-sucedido não era uma tarefa simples, mas depois de participarem de diversas concorrências de patrocínio, seus esforços começaram a ser recompensados.

O Microsoft Seed Financing Fund investiu 100 mil dólares, e o Fundo Bortnik, que ajuda pequenas empresas de inovação, contribui com mais 34 mil dólares.

Talvez a mais significativa contribuição tenha vindo, entretanto, do Centro de Inovação de Skôlkovo, que aceitou a companhia como uma de seus residentes. Isso resultará não só em certos benefícios fiscais, bem como em maior interação com outros grupos de pesquisa. Os recém-cunhados empresários conseguiram então recrutar quatro programadores, e a companhia passou a ter sete funcionários.

“A tecnologia do Pirate Pay não possui análogos no mundo”, afirma Aleksandr Turkot, diretor executivo do Centro de Informações Tecnológicas de Skôlkovo, ao explicar o porquê da decisão de aceitá-los como residente.

As potenciais companhias desse centro de inovação, uma espécie de Vale do Silício russo, são avaliadas segundo diversos critérios, incluindo inovação científica e possibilidades de comercialização.

Solução para um problema latente 


O problema de violação de direitos autorais na Rússia é extremamente sério, e existe uma significativa pressão internacional sobre o governo para reprimir o que tem sido visto como uma rompante pirataria.

Andrêi Klimenko


Fundador, diretor-executivo

29 anos

Formado em Física

 

Andrêi foi professor de física antes de trabalhar em uma empresa de telecomunicações de Perth como gerente de vendas em 2002. Três anos depois lançou a primeira rede de pontos de internet Wi-Fi de Perm. Ele fundou também outra startup antes do Pirate Pay. 

Os estrangeiros na Rússia percebem que podem obter filmes antes de suas datas de lançamento nos Estados Unidos, por exemplo. De acordo com diversas estimativas, a indústria do cinema deixa de faturar 500 milhões de dólares ao ano por causa da pirataria.

Dezenas de milhares de gigabytes de conteúdo ilegal são baixados diariamente através de plataformas de compartilhamento de arquivos, incluindo softwares de computador, música e filmes.

Ameaçar os usuários de internet com processos legais ou apelar para consciência coletiva não têm surtido efeito. E é por isso que a companhia chamou atenção tanto na Rússia como fora do país.

Em dezembro de 2011, o filme “Vissótski. Graças a Deus estou vivo” foi lançado nas salas de cinemas e a Pirate Pay conseguiu proteger a obra das redes de torrent durante o mês seguinte ao seu lançamento.

“Usamos uma grande quantidade de servidores para fazer uma conexão com cada e todo cliente p2p que distribuía o filme. Então, o Pirate Pay enviou tráfego específico para confundir esses clientes sobre os verdadeiros endereços de I.P. de outros clientes e para desconectá-los uns dos outros”, conta Andrêi Klimenko. “Nem todos os objetivos foram alcançados, mas pelo menos 50 mil usuários ficaram impossibilitados de completar seus downloads.”

A bem sucedida proteção do filme gerou à empresa seu primeiro faturamento. Embora não revelem de quanto se trata a quantia, os desenvolvedores afirmaram que os projetos vão custar aos clientes entre cerca de 12 mil e 50 mil dólares, dependendo dos recursos necessários para montar a defesa.

“Tentamos conduzir os negócios com uma margem de lucro”, diz Andrêi Klimenko. “No entanto, muito mais vendo sendo gasto do desenvolvimento do que estamos ganhando, portanto, ainda não houve oportunidade de recuperar o investimento com as receitas até então obtidas.”

Nos próximos dois anos, a empresa pretende consolidar sua posição no mercado russo e ganhar espaço na arena internacional. A expectativa é que sua presença no Skôlkovo ajude a alavancar esse crescimento.

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