Leitores e escritores fazem caminhada em Moscou

Pelo menos 10 mil pessoas aceitaram o convite aberto que o escritor de best-sellers russo Boris Akunin fez no início de maio pela internet para um passeio por alamedas do centro moscovita.

“O objetivo do experimento é determinar se os moscovitas ainda podem passear livremente pela cidade ou é preciso obter uma autorização especial”, escreveu Akúnin em seu blog. “Finjindo que conversamos pacificamente sobre literatura - e, na verdade, tremendo de medo - vamos passar de um Aleksandr Serguêievitch a outro [monumentos dos escritores de mesmo nome Púchkin e Griboédov]", completou.

Akúnin decidiu organizar a caminhada, batizada "Passeio de Controle", devido às detenções massivas ocorridas entre os dias 6 e 7 de maio. No período, mais de 400 pessoas foram detidas na capital, segundo dados do Ministério do Interior.

Sem motivo aparente, foram detidos até clientes que se sentavam em cafés em avenidas centrais de Moscou no dia da posse do presidente, em 7 de maio. 


A caminhada teve entre seus principais participantes o autor do best-seller de ficção científica “Metro-2033”, Dmítri Glukhóvski; um dos idealizadores do projeto de poesia política "Cidadão Poeta", Dmítri Bikov; o autor da peça teatral "Portão Pokróvski", sucesso de bilheteria na União Soviética, Leonid Zórin; o escritor infanto-juvenil Eduard Uspénski; a vencedora do Prêmio Simone de Simone de Beauvoir 2011, Liudmilla Ulítskaia; além dos músicos Aleksêi Kortnev e Andrêi Makarevitch, que gozam de grande prestígio no país.

A multidão reunida não cabia nas calçadas e ocupou as vias, interrompendo o trânsito. Segundo estimativas dos participantes, cerca de 10 mil pessoas tomaram parte na ação. A polícia de Moscou, porém, anunciou que apenas 2 mil pessoas estiveram presentes. 

O status e a popularidade dos organizadores foi refletido no público. De acordo com jornalistas, a multidão era composta por pessoas de meia-idade, representantes da "velha inteligentsya" do país.

Os demonstrantes obedeceram estritamente os regulamentos do passeio: não havia gritos de guerra nem cartazes, o que não dava qualquer chance para os policiais acusá-los de organizar uma ação política não sancionada.

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