Tacada de mestre dos clubes de golfe

Foto: RIA Nóvosti

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O país possui hoje uma infraestrutura de golfe suficientemente desenvolvida para que nos próximos anos esse esporte olímpico ganhe cada vez mais admiradores. Falta, contudo, persuadir os executivos dos clubes a rever suas políticas para os jogadores principiantes, afirmam especialistas.

 Neste ano os 18 campos de golfe da Rússia irão receber cerca de cinco mil golfistas. Os números foram citados pela diretora da Associação de Golfe da Rússia (AGR), Elena Akhmedianova.

“Segundo estimativas, cerca de 50 mil pessoas na Rússia pisaram pelo menos uma vez na vida em um campo de golfe e outras cinco mil se interessam ativamente pelo jogo”, contou a responsável em uma coletiva de imprensa na sede da AGR realizada no mês passado.

No entanto, esses números são muito modestos em relação ao número de russos que poderiam se dar ao luxo de jogar golfe. Na Europa, América e Sudeste Asiático, esse esporte é muito popular por não impor limites relacionados à idade ou condições físicas. Alguns golfistas, por exemplo, continuam em atividade aos 90 anos.

De acordo com especialistas, a ideia generalizada de o “golfe ser um esporte elitista” e a falta de espaços apropriados na Rússia para sua prática têm dificultado a difusão da modalidade no país.

A realidade é, porém, muito diferente. Só na região de Moscou existem dez campos de golfe, que oferecem preços comparáveis ​​aos cobrados em outras modalidades esportivas.

Para os céticos, a massificação do golfe é inviável em um país coberto de neve durante seis meses. É verdade que na zona central da Rússia os golfistas só podem se exercitar ao ar livre entre abril e outubro, mas esse fator é comum aos demais países do hemisfério Norte.

“As condições climáticas da Rússia não são piores nem melhores do que aquelas no Norte da Europa”, disse à RIA Nóvosti o secretário-geral da AGR, Viktor Motchálov. “Na Suíça, o golfe é praticado diariamente por 6% da população. Esse é o maior percentual do mundo, tirando o Reino Unido”, completou.

‘A época dos clubes fechados acabou’


“Nem eu nem meus amigos queremos nos associar a um clube específico. Viajamos pelo mundo jogando em lugares que gostamos”, explica o golfista amador Viatcheslav. “Preferimos gastar dinheiro em campos diferentes a sermos membros de um clube só”, acrescenta.

De acordo com a AGR, o número de golfistas na Rússia poderia ser maior se esses jogadores independentes pudessem jogar no país e, por isso, vem pressionando os clubes privados a admitirem não sócios em seus campos.

Diante disso, tais estabelecimentos começaram a abrir suas portas aos jogadores amadores e a implementar programas de golfe júnior. “Para mudar a situação, estamos realizando o recredenciamento dos clubes”, disse Viktor Motchálov.

“Pelas novas regras, o local deve oferecer um mínimo estabelecido de jogos a membros de outros clubes e a jogadores independentes”, completou.

Ultimamente diversos campos de golfe com acesso público vêm sendo construídos na Rússia. Um deles será inaugurado nos arredores de Moscou ainda neste ano. Qualquer pessoa interessada poderá acessar o local comprando um ingresso diário ou pagando um plano de acordo com sua necessidade.


O último obstáculo


A promoção do golfe no país é também inibida pelo alto preço de aulas individuais com instrutores – entre 2500 e 3000 rublos (cerca de 190 reais). Além disso, não há possibilidade de obter desconto para as aulas em grupos.

Os especialistas concordam que para vencer esse último obstáculo é preciso apenas boa vontade dos proprietários dos clubes.

“Se esse obstáculo for removido, o golfe poderá ganhar muitos adeptos. Hoje em dia, mais de 100 mil moscovitas e cerca de 30 mil estrangeiros residentes na capital russa se dizem dispostos a praticar esse esporte”, expõe Viktor Motchálov, citando pesquisas de agências de marketing ocidentais.


“Estamos entrando em uma nova fase, e o número de golfistas irá crescer como uma avalanche”, concluiu.

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