Cinema para exportação

Foto: Kommersant

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A indústria de cinema russa está buscando uma estratégia mais eficiente para exportar seus filmes. Algumas das soluções propostas pelo Fond Kino (“Fundo de Cinema”, em português) envolve a redução de preços, melhorias na formação de profissionais e estímulo a coproduções.

“O cinema russo trabalha em dupla desvantagem: ausência de demanda do exterior e pouca publicidade”, afirmou o produtor Ievguêni Guindilis durante uma mesa redonda realizada em Moscou no final de abril.

Durante o evento, Elena Romanova, diretora do Fond Kino, órgão estatal responsável pela promoção do cinema russo, também demonstrou sua preocupação. “Queremos que o cinema russo seja exibido para grandes públicos estrangeiros. Nossos atores devem estar presentes nas telas da Europa e em produções norte-americanas”, disse.

Ambos concordam, entretanto, que há um longo caminho pela frente. Atualmente a presença de filmes russos no circuito estrangeiro é mínima. Tirando alguns raros filmes experimentais e de arte, tais como “Elena” ou “Fausto”, que ganharam prêmios em importantes festivais internacionais e, consequentemente, tiveram maior distribuição, os filmes russos permanecem confinados ao território nacional.

As obras de maior sucesso no próprio país têm sido categorizadas como “inviáveis para exportação” e a grande parte dos filmes experimentais tiverem sorte de cair no radar de distribuidores internacionais. 

Megaprodução


Na tentativa de remediar a situação, o Fond Kino está lançando diversas iniciativas. Haverá, por exemplo, um stand de cinema russo no Mercado de Cinema, realizado em paralelo ao Festival de Cannnes, entre 16 e 27 de maio, apresentando os últimos lançamentos russos.

Dentre eles, estarão “Dukhless”, a adaptação de um romance popular; “Dama de Espadas”, o mais recente filme de Pável Lunguin; e “Baba Yaga”, uma coprodução franco-belga-russa de animação 3D produzida por Dan Creteur, com orçamento de 15 milhões de euros.

Além disso, a presença do filme “V tumane” (sem título oficial em português), de Serguêi Loznitsa, na seleção principal de Cannes este ano pode voltar a atenção da crítica de volta ao cinema russo. “É um filme que demonstra bastante talento”, disse Andrêi Plakhov, presidente do Fipresci (Federação Internacional de Críticos de Cinema). “’Na neblina’ é um regresso à era do cinema soviético clássico e não irá gerar escândalo.”

Romanova acrescenta que a obra “já achou um distribuidor internacional e Fond Kino está disposto a ajudar o filme caso enfrente problemas de distribuições na Rússia”.

Outra ação, chamada “Sessões na Praça Vermelha” irá convidar os principais personagens da indústria internacional do cinema a assistir a exibições privativas em Moscou, de 15 a 20 de outubro.

As projeções serão realizadas na GUM, famosa loja de departamento em frente à praça. “O cinema não é um simples produto, mas parte essencial de nossa cultura”, disse Guindilis.

“Essa é a razão pela qual criamos as ‘Sessões na Praça Vermelha’. O evento deve ser o principal instrumento para promover nossos filmes lá fora. Precisamos oferecer o máximo de conforto aos convidados. A concorrência é acirrada e, por isso, precisamos divulgar o cinema russo de forma extraordinária, apenas a poucos passos da Praça Vermelha.”

Moda contra crise


As pessoas envolvidas na indústria de cinema russa reconhecem que muito deve ser feito no próprio país antes de alcançarem seus objetivos. “É preciso incentivos fiscais para os produtores e distribuidores”, ressalta Romanova, acrescentando que a indústria russa recebe um tratamento menos favorável do que países como o Canadá e França, por exemplo.

Eles destacam ainda a urgência de melhorar a formação de profissionais. “A crise atual foi causada pela escassez de indivíduos qualificados”, disse Iliá Batchurin, diretor geral do estúdio cinematográfico GlavKino. “Devemos estimular mais iniciativas de intercâmbio com estúdios estrangeiros, bem como incentivar a gravação de filmes estrangeiros aqui. Não precisamos apenas de recursos financeiros, mas também de habilidades.”

Plakhov chamou atenção para outro problema na indústria russa. “Não há uma política de governo clara. Vejam o que a França está fazendo, por exemplo, em relação aos ‘Dias de Cinema Francês’ em Paris. A [agência de promoção cinematográfica] Unifrance está trabalhando de modo bastante eficiente do ponto de vista comercial, pois não se restringe a promover as principais estrelas de cinema, mas também toda uma nova geração.”

“Precisamos criar uma moda de cinema russo, bem como fizeram os coreanos”, acrescentou Plakhov. “A última vez que o cinema russo esteve em voga foi em 1990 com a obra ‘Taxi Blues’, de Pável Lunguin.”

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