Volta ao mundo irá celebrar 1.150 anos da Rússia

Guiness: Sedov é o maior barco a vela do mundo, segundo o “Livro dos Recordes” Foto: Alamy_LegionMedia

Guiness: Sedov é o maior barco a vela do mundo, segundo o “Livro dos Recordes” Foto: Alamy_LegionMedia

Maior barco a vela do mundo vai exibir bandeira russa em 21 países e 394 dias, levando marinheiros experimentados, cadetes e até roqueiros.

No dia 20 de maio, São Petersburgo vai se despedir por 14 meses do Sedov, a maior embarcação a vela do mundo, de acordo com o “Livro Guiness dos Recordes”. Construído em 1921 na Alemanha e preservado até hoje, o lendário Sedov vai embarcar numa viagem de volta ao mundo para celebrar, por três oceanos e 21 países (veja infográfico), os 1.150 anos de nascimento do Estado russo.

“O principal objetivo da viagem é a demonstração da nossa bandeira. A Rússia, como uma grande potência marítima, deve mostrar ao mundo que um país como ela é pacífico e aberto”, explicou à Gazeta Russa o porta-voz da Rosribolovstvo ( Agência Federal de Pesca da Rússia) , Aleksandr Saviolov.

Números


14


meses será a duração da viagem, que levará cerca de 300 cadetes navais em três turnos e 100 marinheiros

21


países receberão o Sedov. Em alguns deles, como a Alemanha, a embarcação irá ancorar em mais de um porto

30


portos no exterior receberão o Sedov, entres eles, Recife (PE), onde a embarcação promoverá eventos de 22 a 26 de agosto

45


mil milhas marítimas serão percorridas pela embarcação, que passará por três oceanos: Atlântico, Índico e Pacífico

Será a primeira volta ao mundo do barco, de propriedade da Rosribolovstvo, que deve revezar, de tempos em tempos, a tarefa com outras duas embarcações: Palada e Kruzenstein. “É uma antiga tradição russa, nada foi inventado agora. Esses três barcos praticamente todos os anos realizam essas longas expedições transatlânticas”, afirma Saviolov.

 

De cadetes e roqueiros

O barco levará cerca de 200 pessoas a bordo e 50% da tripulação deve será composta por cadetes navais da MGTU (Universidade Técnica Estatal de Murmánski), que ocuparão a embarcação por turnos. Os grupos de cadetes, todos estudantes navais do segundo ano, serão trocados duas vezes, uma em Casablanca, no Marrocos, e outra em Vladivostok, no Extremo Oriente russo, de onde retornarão a São Petersburgo para concluir a viagem.

“Para ser sincero, eu nunca viajei ao exterior, nunca estive fora da Rússia. Acho que, em primeiro lugar, será uma grande experiência, e em segundo, vai ser uma oportunidade de ver o resto do mundo”, disse à Gazeta Russa o cadete Dmítri Stolpóvski, de 18 anos.

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Dmítri, que vai embarcar em Casablanca e concluir a viagem em Vladivostok, afirma que seus pais estão muito orgulhosos. Nascido na cidade de Sieveromorsk, à beira do Mar de Barents, no norte da Rússia, ele está entusiasmado também por outro motivo: sua banda de rock preferida, o Mummy Troll, estará a bordo. “Sou fã do Mummy Troll, e acho muito legal eles irem com a gente. São estrelas de primeira linha do show business, e acho que se eles escolheram fazer essa viagem, irão com a gente até o final”, diz.

Formado em 1983 na cidade portuária de Vladivostok, o Mummy Troll afirma que vai realizar um sonho de infância. “A ideia de gravar um álbum em uma campanha marítima surgiu ainda na infância, depois começou a se realizar um pouco há um ano, quando fizemos nossa viagem ‘Rock-marinho’, e demos shows em navios da frota naval russa”, contou à Gazeta Russa o vocalista da banda, Iliá Lagutenko.

“A embarcação vai demonstrar não só a bandeira aos portos onde ancorar, mas a amizade com o país”

“O Mummy Troll é um grupo único na Rússia, onde é muito popular, e tem relações estritas com o mar, com muitas músicas sobre o tema. No Brasil, pode ser que este seja seu primeiro contato e que ela arrebate muitos fãs por lá também”, acredita Saviolov.

Bandeira e diversão

Nos 30 portos onde o Sedov parar haverá eventos a bordo abertos à população local. “Em cada porto foi planejado uma série de eventos junto ao Ministério das Relações Exteriores da Federação Russa, com participação das embaixadas e consulados russos, e figuras oficiais dos países onde a embarcação estiver”, explica Saviolov.

Da última vez que o barco visitou São Petersburgo, por exemplo, houve concursos de desenho infantil, maratona de danças, entre outras atividades culturais. “A chegada da embarcação a vela em qualquer país é em grande parte não só a demonstração da bandeira do país e da frota naval, mas também uma demonstração de intenções amigáveis”, diz o vocalista do Mummy Troll.

Barco levará cadetes, marinheiros e uma das bandas de rock mais famosas da Rússia, Mummy Troll

No Brasil, por enquanto, ainda não está definida a programação de entretenimento do Sedov, que vai ancorar em Recife por três dias a partir de 22 de agosto. “A gente nunca esteve no Brasil, mas será legal demais!”, afirma Lagutenko.

Para o capitão, que completará sua quarta volta ao mundo no comando do Sedov, a expectativa é grande, principalmente pela atenção dedicada à América do Sul no trajeto. “Brasil, Chile, Peru, são novos e exóticos locais para onde quero muito ir, ver como são as coisas por lá”, afirma o capitão Nikolai Zortchenko, 58 anos.

Além de Alemanha, Suécia, Noruega, França, Marrocos, Estados Unidos, Coreia, Japão, China, Cingapura, Ilhas Maurício, África do Sul, Senegal e Espanha, a embarcação parará ainda no Brasil, no Uruguai, na Argentina, no Chile e no Peru.

“O projeto será financiado por meio do orçamento federal e também da iniciativa privada, como a [segunda maior produtora de gás da Rússia] Novatek”, conta Saviolov.

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