Vazamento de gás no fundo do Ártico preocupa especialistas

Foto: Juan Vidal/ Flickr

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Os cientistas registraram um grande vazamento de metano no fundo do Oceano Glacial Ártico. A preocupação dos especialistas é que a emissão de uma grande quantidade de gás nessa região possa acarretar alterações climáticas no mundo inteiro.

Após dois anos rastreando a concentração de metano nas águas do Oceano Ártico, ecólogos descobriram uma concentração elevada desse gás junto ao litoral da península de Alasca, na região dos mares da Sibéria oriental e de Tchukotchi.

Embora o gás não represente perigo quando sob grande pressão no fundo do oceano, foi constatado um vazamento para a superfície – e esse já é um motivo para a preocupação.

Os especialistas acreditam que a elevação brusca da concentração do gás na atmosfera possa resultar na intensificação do efeito de estufa.

“Esse processo está evoluindo”, afirma Igor Semiletov, chefe do laboratório de pesquisas árticas no Instituto de Oceanologia do Pacífico da Academia de Ciências Russa.

“Enquanto existiam solos eternamente gelados, o metano simplesmente não podia abrir caminho através das águas para a atmosfera. Mas a degradação dos solos submarinos faz com que surjam vias de escapamento de gás”, explica.

De acordo com o cientista, isso comprova que o solo eternamente gelado do fundo não é uniforme.

As reservas potenciais do metano no fundo são de uma ordem três vezes mais alta do que na atmosfera. Se pelo menos 2% desse volume penetrar na atmosfera, haverá um aquecimento climático brusco.

Otimismo moderado 

 

Os cientistas não conseguem prever quanto tempo irá  durar esse processo, portanto, é impossível afirmar que os solos eternamente gelados vão continuar a derreter.

Os especialistas do Instituto do Ártico e da Antártida de Petersburgo, por exemplo, constataram que desde 2008 foi verificado um aumento sistemático do manto de gelo na parte leste do oceano.

“Acreditamos que está chegando uma época de anos mais frios. Durante a temporada passada vários navios sofreram estragos por causa dos gelos grossos nessa região, o que jamais houve nos últimos dez anos”, Aleksandr Iulin, chefe de laboratório no instituto.

Isso permite certo otimismo, pois a tendência de esfriamento indica que o processo de emissão de metano para a atmosfera talvez esteja tornando-se menos intenso. 

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