Fabricante do Lada quer recuperar mercado latino-americano

Lada-2107 (Laika) Foto: Divulgação

Lada-2107 (Laika) Foto: Divulgação

A maior montadora de automóveis da Rússia, a Avtovaz, retirou, na semana passada, sua linha de montagem do modelo clássico Lada-2107. Dentre os motivos citados pela assessoria de imprensa da montadora estão uma queda acentuada na demanda pelo modela e a intenção de atualizar sua frota.

Nos final dos anos 90, a América Latina fechou seus mercados ao Lada para abri-los às marcas sul-coreanas, que se encontravam na mesma faixa de preços e possuíam uma qualidade melhor.

A baixa competitividade de carros russos e a falta de estímulos às exportações por parte do governo russo foram os principais fatores que desmotivaram esses países a continuar investindo no Lada.

Outro fator foi a criação do Mercado Comum do Sul (Mercosul) que, preocupado em defender a indústria automotiva dos países-membros, aumentou o imposto de importação do produto.

Mesmo assim, os Lada importados nos anos 90 continuam circulando até hoje. O segredo está nos fornecimentos de peças de reposição que continuam sendo efetuados pela montadora russa e pela Fiat. 

A Avtovaz está localizada na cidade industrial de Toliatti, na margem do rio Volga. No final de abril, a montadora passou para o controle da aliança franco-japonesa Renault-Nissan.

Embora o preço dos novos Lada seja relativamente  baixo, a compra do Lada é uma questão mais política do que econômica.

O off-road Lada-Niva continua no topo das vendas na América Latina entre os demais da marca. Na Argentina, Chile e Venezuela há, inclusive, fã-clubes do Niva.

De vez em quando, os admiradores do modelo competem entre  si em ralis internacionais. Concebido para circular nas regiões intransitáveis da Sibéria, o carro se mostra muito eficiente nas vastidões da Patagônia, regiões desertas e até mesmo nos Llanos, no Chile.

O maior problema enfrentado pelos proprietários do Niva, porém, é a falta de peças de reposição. Ainda assim, a direção da Avtovaz não perde a esperança de recuperar sua posição no mercado latino-americano.

No final de março, o vice-presidente de vendas da montadora, Artiom Fedósov, disse que a Avtovaz examina a hipótese de instalar no Uruguai uma empresa de produção de Lada-Niva 4X4 para os mercados da América do Sul, inclusive o Brasil e Equador.

O interesse da montadora russa pelo distante mercado sul-americano é  compreensível. Como a Avtovaz produz principalmente carros baratos, seus executivos esperam que os novos Lada sejam favoravelmente recebidos pelos consumidores dos países emergentes.

Assim, há razões para acreditar que a nova tentativa dos carros russos de ganhar posições na América Latina acabará bem, porque a reativação da indústria automotiva da Rússia é uma das prioridades do presidente eleito, Vladímir Pútin, que toma posse no dia 7 de maio.

A era Lada

 
Projetado a partir do Lada-2015, o Lada-2107 começou a ser produzido em 1982 e foi o último carro da família do lendário Lada-2101, modelo estreante da Avtovaz lançado em 1970.

O Lada clássico, como são chamados os modelos desde Lada-2101 até Lada-2107, detém o recorde mundial de permanência na linha de montagem: 42 anos.

A maioria das unidades e blocos de detalhes do veículo foram projetados nos anos 60 e continuam sendo produzidos até hoje.

O Lada clássico tem sido popular não só na Rússia, onde era atributo da prosperidade na época soviética, mas também pode ser encontrado com frequência em alguns países latino-americanos como Cuba, Venezuela, Argentina e até mesmo Costa Rica e Equador, que importaram o Lada desde a década de 70.

Mesmo nos anos 90, caracterizados pela recessão e queda da produção na Rússia, a exportação de Lada para a América Latina não parou. Muito pelo contrário, o mundo presenciou seu incremento.

Para os serviços pós-venda, foram instaladas representações da Avtovaz nos países sul-americanos importadores de automóveis Lada.

A América Latina importava não só os modelos clássicos como também o lendário off-road Niva, o Samara e até mesmo o Lada-110, equipado com um motor de injeção eletrônica e um computador de bordo – considerado, na época, como um dos automóveis mais avançados no continente latino-americano. 

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