O futuro da energia nuclear

Vinte e seis anos após o desastre em Tchernobil, especialistas falam sobre novas medidas de segurança para evitar os erros do passado.

Mais de 600 mil pessoas participaram da missão de ‘liquidar’ os efeitos do desastre de Tchernobil removendo destroços, expurgando combustível radioativo e construindo uma gigantesca tampa sobre o bloco de energia que havia explodido.

O desastre, considerado o pior acidente nuclear da história, levantou sérias preocupações sobre segurança na indústria de energia nuclear.

“Não esperávamos esse desastre, pois um poderosíssimo reator nuclear explodiu. Foi um acidente provocado pelo homem”, afirma Bulat Nigmatulin, eminente especialista russo em física nuclear.

Mas os liquidatários rapidamente construíram uma tampa sobre a estrutura para isolar o material radioativo ali concentrado.

O especialista diz que havia falhas no projeto do reator RMBC que explodiu em Tchernobil e, por isso, existia o risco de que o sistema de controle do reator provocasse um acidente. Infelizmente foi justo o que aconteceu.

O acidente de Tchernobil gerou quatrocentas vezes mais radiação do que a bomba atômica de Hiroshima no Japão, após a Segunda Guerra Mundial.

Aprendendo com o erro


No entanto, o mundo já presenciou outras desastres nucleares além de Tchernobil, como o acidente da Three Mile Island, nos Estados Unidos, e o da usina de Fukushima, no Japão, no ano passado.

Isso, contudo, não significa que todas as usinas nucleares deveriam ser fechadas, segundo Nikolai Kuharkin, conselheiro da direção do Instituto de Pesquisa Kurtchatov.

“As lições de cada desastre foram certamente levadas em consideração e a segurança das usinas nucleares vem sendo melhorada. Mas os acidentes acontecem de qualquer modo”, diz.

No Japão, o desastre nuclear foi causado por um tsunami. Se eles tivessem expectativa de acontecer algum desastre natural do gênero, teriam construído a usina em um lugar diferente, ou, pelo menos, em um ponto relativamente mais alto do que sua atual localização.

“Eles não previram isso, mas isso não quer dizer que todo setor de energia nuclear deve ser encarado com receio. Devemos aprender com esses acidentes”, complementa.

Segurança quase total


Não haverá nunca 100% de garantia contra acidentes. Porém, os especialistas do setor de energia nuclear estão trabalhando na redução dos riscos. “Atualmente todas as usinas têm a segurança como prioridade”, enfatiza Bulat Nigmatulin.

Segundo ele, hoje existem pouco mais de 400 blocos nucleares em operação no mundo. Qualquer novo acidente em uma usina poderia sujar ainda mais a imagem da indústria de energia nuclear.

Por outro lado, existem novos projetos em desenvolvimento e eles estão muito mais sólidos em termos de segurança.

“Mas a segurança em si tem seus limites. Se uma usina não for segura, ela deve então ser fechada. Sempre enfatizamos a segurança, mas falamos sobre eficácia econômica como algo óbvio, o que não é o caso”, afirma.

Uma usina de energia não é eficaz se demandar altos gastos. Na China, elas são economicamente eficazes porque o custo de construção é baixo.

“Entretanto, a indústria nuclear global, incluindo na Rússia, também tem suas perspectivas de desenvolvimento”, afirma Leonid Bolchov, diretor do Instituto de Pesquisas em Desenvolvimento Seguro da Energia Atômica.

“A próxima etapa é a melhoria das tecnologias nucleares, ou seja, a substituição por reatores rápidos que tenham um ciclo de combustível fechado com melhores indicadores de segurança. Por um tempo, contudo, esses novos reatores vão trabalhar em conjunto com os atuais sistemas”, diz.

Não há nada ameaçador em relação ao assunto, de acordo com o especialista, pois aqueles que aprenderam as lições com os acidentes anteriores conseguiram criar novos reatores que apresentam um bom nível de segurança.

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