Presidente russo dá última entrevista a TVs russas

Foto: TASS

Foto: TASS

A jornalistas de cinco canais, Dmítri Medvedev falou sobre liberdades civis, trabalhos de ministros e do empresário preso Mikhail Khodorkóvski. Entrevista deve ser última durante seu mandato, que acaba no próximo dia 7 de maio, quando Pútin toma posse.

A Rússia avançou significativamente rumo às liberdades civis durante o governo Medvedev. Essa foi a resposta do próprio presidente Dmítri Medvedev à primeira pergunta feita por jornalistas de cinco canais de TV na tarde desta quinta-feira (26). “Alguns podem dizer que foi um avanço tímido, enquanto outros podem achar que não devíamos ir tão longe. Mas, na minha opinião, temos avançado muito”, disse Medvedev.

O presidente russo, entretanto, admitiu não estar satisfeito com o ritmo de diversificação da economia russa. “Eu sempre tive a certeza de que durante meus quatro anos de mandato o país não poderia interromper sua exportação de petróleo e gás, já que a Rússia é o maior fornecedor de hirdrocarbonetos a um grande número de países”, afirmou.

Greve de fome em Ástrakhan

Medvedev desprezou a greve de fome de dois meses feita por um candidato derrotado nas eleições pela prefeitura de Ástrakhan. Segundo o candidato, sua derrota seria devida às fraudes ocorridas durante as eleições. 

"Não quero culpar ninguém, mas essas greves de fome me lembram um filme ruim de Hollywood”, comentou o presidente. Ele acrescentou ações do gênero seriam normais caso se enquadrassem nas leis. Assim como o primeiro-ministro russo Vladímir Pútin, Medvedev acredita que o candidato deveria ter reclamado sua posição junto à justiça antes de iniciar uma greve de fome. 

Pussy Riot

O presidente se recusou a tecer maiores comentários sobre o julgamento da banda punk Pussy Riot, detida após cantar sua composição "Virgem Maria, livre-nos de Pútin" dentro de uma das principais catedrais da cidade. Se condenadas, as moças poderão receber pena de até sete anos de prisão. Medvedev observou apenas que "as participantes receberam exatamente o que queriam: popularidade".

Khodorkóvski

Respondendo a uma pergunta sobre o julgamento do empresário Mikhail Khodorkóvski e de Platon Lébedev, ambos ligados à petrolífera Yukos, que teria sonegado impostos, Medvedev disse que, de acordo com a Constituição russa, os condenados devem entregar pedidos de clemência para recebê-la. “Caso o presidente perdoe a pena sem essa petição, então este estará violando o direito à reabilitação”, completou.

Protestos

O presidente também comentou os protestos de dezembro de 2011 e março de 2012. “As pessoas que saíram às ruas para fazer valer sua opinião merecem respeito. Acredito que as decisões anunciadas em setembro do ano passado foram confirmadas pela prática política”, declarou Medvedev.

O presidente também disse que todas as seções eleitorais do país deveriam ser equipadas com urnas eletrônicas. “O governo deve criar circunstâncias para que a possibilidade de fraude será mínima”, acrescentou.

Censura

Aleksêi Pivovarov, jornalista do canal estatal NTV, questionou o presidente sobre a censura na televisão, acrescentando enfrentar limitações que não lhe permitem “executar plenamente a profissão”. Medvedev replicou que a censura é proibida pela Constituição, e que isso é motivo para intervenção do governo. 

Defesa

Durante a entrevista, Medvedev falou também sobre mudanças no Exército. Segundo ele, em seis anos, 85% dos militares deverão servir nas tropas por contrato -  em serviços terceirizados, como fazem os EUA - e apenas 15% por alistamento.

Comentando as relações com a Geórgia, país com quem a Rússia entrou em uma guerra em 2008 que abalou até hoje suas relações bilaterais, Dmítri Medvedev disse que, pessoalmente, não nutre antipatia pelo vizinho. “O povo georgiano é muito próximo e importante para nós. Saakashvili é um zero, um nada. Mas estamos prontos a constituir relações com quem vier a ocupar seu lugar”, declarou Medvedev.

O presidente acrescentou que a polêmica com os EUA sobre defesa antimíssil ainda não acabou, e que ainda há mais cinco a sete anos para que a questão seja resolvida.

Todos os direitos reservados por Rossiyskaya Gazeta.