Equipe olímpica aposta na diversidade

Lukman Adams Foto: RIA Novosti

Lukman Adams Foto: RIA Novosti

O quadro de atletas para as Olímpiadas de Londres reflete as diferentes origens que compõem a atual sociedade russa.

O desempenho da seleção russa no último Mundial de Atletismo, em Istambul, deixou a desejar e rendeu à Rússia o quinto lugar no quadro geral de medalhas. Faltando quase três meses para os Jogos Olímpicos de Londres, tal situação não podia deixar de causar preocupação.

Entretanto, nesse cenário desfavorável brilhou o estreante Lukman Adams, atleta russo de origem nigeriana, que faturou o bronze no salto triplo ao atingir 17,36 metros, apenas 34 cm a menos do que o primeiro colocado.

Com essa marca, Lukman Adams irá a Londres como um dos  favoritos na modalidade. Uma conquista maior ainda, contudo, é o fato de Adams ser o primeiro esportista negro na história da seleção russa de Atletismo.

“O racismo existe na Rússia, mas onde não há racismo? O problema é que aqui os jornalistas dão muita atenção a isso, mas pessoalmente nunca fui vítima de atitudes racistas”, diz.

“Em nosso país multiétnico, você pode encontrar representantes de qualquer etnia. Eu sou metade nigeriano mas não conheço a Nigéria nem faço a menor ideia de sua cultura. Jogo pelo time nacional da Rússia, moro na capital russa, não preciso mais de nada para ser feliz.” 

Filho de pai nigeriano e mãe russa, cresceu em um bairro pobre de São Petersburgo e não sabe qual seria seu destino se não tivesse se dedicado ao esporte.

Após praticar basquete por algum tempo, Adams se apaixonou pelo atletismo. Lançava peso, arremessava dardo, competia em corridas de velocidade e, com o tempo, se interessou pelo salto triplo.

Ao se ganhar prestígio em pouco tempo, Adams se mudou em 2006 para Moscou, onde venceria, no ano seguinte, o campeonato da Europa de Juniores.

Viktor Keiru Foto: RIA Nóvosti

Em 2010, Adams foi admitido no elenco nacional e conseguiu boas marcas em torneios nacionais e internacionais. O recente Mundial de Atletismo em Istambul é, por enquanto, o maior sucesso esportivo do atleta com 23 anos de idade.

Segundo especialistas, Adams tem excelente futuro pela frente e as próximas Olimpíadas serão uma boa oportunidade para ele provar isso.

“Agora todos meus pensamentos estão focados nos próximos Jogos Olímpicos. Quero muito agradar à torcida da seleção russa e a minha família”.

Racismo em jogo


Nos últimos anos, uma série de episódios racistas envolvendo bananas atiradas contra jogadores de futebol têm manchado a imagem do futebol russo, trazendo, inclusive, perspectivas pessimistas para os preparativos da Copa do Mundo no país.

“Aqueles que jogam bananas nos campos de jogo são loucos e não entendem nada de racismo. Jogar uma banana é para eles uma espécie de entretenimento”, acredita Adams.



O jogador de basquete Viktor Keiru, cujo pai era natural de Serra Leoa, também estará na seleção das próximas Olímpiadas. “No basquete há muitos jogadores de pele negra. Na quadra, nunca ouvi gritos racistas direcionados a mim, embora na rua tenha me deparado várias vezes com pessoas desagradáveis que tentaram me provocar, mas eu ignorei”, conta.

Nascido em Rostov-no-Don, no sul da Rússia, Keiru já teve a felicidade de participar das Olimpíadas de 2008, em Pequim.

Ekaterina Keiru Foto: TASS


Após várias temporadas no esporte, Keiru joga agora pelo Spartak de São Petersburgo e é um verdadeiro líder na equipe.

O jogador espera dar o seu melhor nas Olimpíadas de Londres para ajudar o time nacional russo a passar da fase de grupos, meta não alcançada pela Rússia nos últimos Jogos Olímpicos.

A irmã de Viktor, Ekaterina, não fica atrás de seu irmão. Ela costumava assistir aos treinos de seu irmão e acabou sendo chamada para um teste.

Desde então, a jovem jogadora refez o caminho de Viktor, chegou à Super Liga, concluiu o curso em uma escola de música e foi três vezes convocada para jogar pela seleção nacional.

 

Apesar de estar muito feliz na Rússia, Ekaterina se preocupa com as possíveis consequências de atos racistas.  “Isso nunca aconteceu comigo, mas sinto vergonha por meu país quando vejo alguém jogar bananas contra jogadores de futebol. Por causa desses indivíduos, podemos perder o direito de receber grandes competições internacionais”, diz.

Segundo Ekaterina, o racismo deve ser combatido com a aplicação de multas e realização de campanhas de conscientização.

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