Greve de fome de Chein chega ao fim

Oleg Chein Foto: TASS

Oleg Chein Foto: TASS

O ex-candidato à prefeitura da cidade de Ástrakhan, no delta do rio Volga, pelo partido Rússia Justa, Oleg Chein, derrotado nas eleições para prefeitura em março, encerrou uma greve de fome em protesto contra supostas fraudes eleitorais, dizendo ter alcançando o resultado desejado.

Assim terminou uma saga de dois meses acompanhada de novas manifestações de protesto da oposição e detenções.

Chein, que obteve 30% dos votos, contestava os resultados da votação, chamando o prefeito eleito Mikhail Stoliarov de impostor, indicado pelo partido governista Rússia Unida e vencedor da corrida com 60% dos votos.

Como principal argumento, Chein citou uma grande diferença entre os resultados oficiais e as pesquisas feitas à boca das urnas, segundo as quais Stoliarov teria perdido as eleições.

Essa não é a primeira vez que Oleg Chein e seus partidários contestam os resultados das eleições. Em 2009, eles também exigiram a recontagem dos votos, alegando que “grupos de ativistas tinham invadido as seções eleitorais” para falsificar os resultados. Na época, a cidade de Ástrakhan tornou-se palco de manifestações de rua para convencer o presidente do país a marcar uma nova votação, mas as expectativas não foram atendidas.

Os ativistas do movimento de protesto falaram também em numerosas ilegalidades eleitorais durante a votação, citando, por exemplo, que em algumas seções eleitorais as cédulas com votos para Chein teriam sido reposicionadas em pilhas favoráveis a seu rival.

Para provar as violações, os grevistas exigiram acesso às gravações de vídeo feitas pelas câmeras instaladas em mais de 100 seções eleitorais.

A cidade também recebeu a visita de uma comissão especial da Duma de Estado (Câmara Baixa do parlamento russo) que prometeu realizar uma nova votação, caso comprovassem as denúncias.

A Comissão Eleitoral Central (CEC) também abriu um inquérito e convidou Oleg Chein para Moscou a participar da análise às gravações de vídeo que teriam registrado as violações.

Juntamente com Oleg Chein, o presidente do Rússia Justa, Serguêi Mironov, e o atual delegado das eleições, Vladímir Tchúrov, passaram uma noite inteira examinando as gravações de vídeo apresentadas como prova.

Vladímir Tchúrov reconheceu ter havido “irregularidades processuais” em 130 das 200 mesas de voto, rejeitando, contudo, quaisquer fraudes eleitorais.

Ainda assim, Chein se declarou satisfeito e prometeu contestar judicialmente os resultados das eleições para prefeitura.

Unidos da oposição


A greve de fome em Ástrakhan teve ampla repercussão no país. Os ativistas do movimento “Por eleições justas” e das manifestações do inverno passado entenderam a ação de Ástrakhan como continuação da luta pelos ideais democráticos.

Tirando as manifestações de 4 e 5 de março, a greve de fome de Ástrakhan foi a única ação de protesto relevante após a votação.

Durante esses dois meses, a cidade foi visitada por quase todas as figuras relevantes da oposição na Rússia, entre os quais Aleksêi Naválni, Iliá Iáchin, Ksênia Sobchák e outros.

Os grevistas ficaram sentados em colchões infláveis no gramado junto ao prédio da prefeitura fazendo frente à polícia que tentava retirá-los do local.

No início de abril, a cidade foi palco de várias manifestações de seguidores e opositores de Chein.

O movimento juvenil pró-Kremlin “Nachi” (“Nossos”, em português) realizou uma “greve de fome em protesto contra a fraude da greve de fome”, em aparente alusão à ação de Chein. De acordo com os ativistas do Nachi, , o ex-candidato não estava em jejum – ou, pelo menos, sua abstinência de comida não era absoluta.

Alguns médicos também sustentavam essa opinião, pois, segundo eles, um ser humano não poderia se abster de comer por mais de 30 dias sem risco de morte. 

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