Hora de quebrar o gelo

Foto: Geofoto

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O aquecimento global faz com que as regiões polares da Terra se tornem cada vez mais acessíveis. O Ártico, onde se cruzam os interesses de grandes potências mundiais, vem se transformando em palco de novo confrontos. A probabilidade de um conflito armado na região é pequena, mas o choque de interesses econômicos é bem possível.

Ainda há pouco, o descobrimento do Ártico, resultante do aquecimento global, interessava apenas aos cientistas e jornalistas.

Entretanto, a região vem chamando a atenção de políticos e militares, motivo pelo qual a imprensa internacional começou a escrever com frequência cada vez maior sobre a hipótese de uma “guerra fria” no Ártico.

Paralelamente, os chefes dos Estados Maiores dos países com costa no Ártico têm feito reuniões sobre a paz e segurança na região.

A mais recente delas, realizada no Canadá nos dias 12 e 13 de abril, teve a participação de dirigentes militares de todas essas nações, inclusive a Rússia.

O pano de fundo do encontro foi a intensificação de atividades militares da Otan e da Rússia na região.

Por enquanto, os eventuais conflitos no Ártico são apenas objetos de discussão e de jogos eletrônicos, dos quais se destaca o recém-lançado “Nawal Warfare: Arctic Circle”, baseado na hipótese de confronto armado entre a Rússia e a Otan no Ártico.

Em março, a aliança internacional realizou exercícios militares de grande envergadura, chamados de Cold Response,  em uma zona entre a Suécia e o Canadá.

Os treinamentos envolvendo 16300 efetivos terminaram com a morte de cinco soldados noruegueses um acidente com o avião de carga militar C-130J na encosta ocidental do Monte Kebnekaise, no norte da Suécia.


A Rússia não ficou atrás e realizou um treinamento com a 200ª Brigada de Infantaria, nos arredores da cidade de Murmansk, simulando uma guerra na região transpolar.

Os exercícios envolveram carros de combate T-80 equipados com um motor de turbina a gás, portanto, mais adaptados às condições do Ártico, assim como navios da Esquadra do Norte da Marinha russa, aviões e helicópteros da Força Aérea e da Aviação Naval.

Interesses cruzados


Os treinamentos da Otan e da Rússia no Ártico têm o mesmo objetivo. Com o crescente acesso à região, todos os principais atores internacionais querem demonstrar seu potencial de combate e ganhar vantagem nessa batalha psicológica.

Claro que ninguém deseja uma “Guerra Quente”. Mais do que isso, um ator potencialmente forte, os EUA, está com as atenções voltadas para regiões muito longes do Ártico, isto é, Afeganistão, Iraque e China.

Ainda assim, uma exploração ativa dos recursos naturais do Ártico e a iminente exploração da rota do Mar do Norte fará do Ártico uma região muito importante.

A situação nas principais rotas marítimas sempre foi motivo de conflito. Basta ver o Mar Mediterrâneo, a região do Chifre de África ou o Estreito de Malaca. Se o Ártico se tornar outro foco de tensão, disputas não tardarão a surgir.

Desse modo, a Rússia se manifesta disposta a defender seus interesses no Ártico e a ampliar sua infraestrutura nessa região do mundo.

O país pretende instalar pelo menos 20 postos de guarda-fronteira, tanto em ilhas como próximos aos nove centros dos ministérios para as Situações de Emergências e  dos Transportes que serão construídos por meio do programa de desenvolvimento da rota do Mar do Norte.

As comunicações com o continente serão mantidas através do sistema de comunicação via satélite “Ártico”.

Os postos de guarda-fronteira formarão o primeiro escalão de defesa dos interesses russos no Ártico. Em caso de necessidade, também contarão com o apoio da Esquadra do Norte e as brigadas árticas do exército russo.

Assim como a Rússia, quase todos os países com costa no Ártico dispõem ou estão criando unidades militares treinadas. 

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