Rússia projeta nova base de lançamentos espaciais

Projeto da nova base Vostótchni Foto: Svetlana Mikhailova / RIA Nóvosti

Projeto da nova base Vostótchni Foto: Svetlana Mikhailova / RIA Nóvosti

A base de lançamentos espaciais Vostótchni, perto do município de Uglegorsk, na região de Amur, deve ser inaugurada em 2015, anunciou o vice-primeiro-ministro, Dmítri Rogózin. Será a quarta na área antes ocupadas pela URSS e a terceira no território russo, sem contar com os campos de provas de Kapústin Iar e das Tropas de Mísseis Estratégicos, também utilizados para lançamentos espaciais.

Desde a queda da URSS, a base de lançamentos Baikonur, no Cazaquistão, tem sido a principal porta de entrada de foguetes russos para o espaço. Entre outubro de 1957 e março de 2012, 1364 foguetes partiram de suas 15 rampas de lançamento, sem contar com os mísseis balísticos lançados em diversos programas de testes.

A base de lançamentos Plesetsk é a segunda base em importância do país. Líder incontestável nos tempos soviéticos, a Plesetsk com suas nove rampas de lançamento teve 1372 lançamentos entre 1966 e 1993. Desde então, perdeu suas posição de liderança devido à redução do programa espacial militar russo.

A estação Vostótchni será construída perto do município de Uglegorsk, na região de Amur

Por ultimo, a base Svobódni foi inaugurada em 1997 e fechada em 2006. Teve apenas cinco lançamentos de foguetes de pequeno porte Start (versão reconvertida do míssil Tópol): dois lançamentos em 1997 e um em 2000, 2001 e 2006. Durante a redução das Forças Armadas em meados da década de 2000, a base foi desativada devido a sua ineficiência.

No entanto, a ideia de criar uma nova “porta de entrada para o espaço” no Extremo Oriente não foi enterrada: em 2007, em um contexto de reativação econômica, intensificaram-se as conversas para a construção de uma base de lançamentos espaciais nessa área.

A base Vostótchni deve ser construída perto da ex-base Svobódni. Além disso, terá ligação com a infraestrutura do município de Uglegorsk, com a estação Ledianaia da estrada de ferro Transiberiana e com autoestrada Amur, inaugurada em 2010.

O seu primeiro lançamento, um  foguete da série lendária de naves espaciais da astronáutica nacional e internacional (Soiuz-2) será realizado em 2015.

Enquanto isso, a futura base é hoje apenas uma área vazia, rodeada pela taiga – densa floresta siberiana de coníferas. A Vostótchni fica a cerca de seis mil quilômetros dos principais centros de construção de foguetes (quase duas vezes mais longe do que a base Baikonur) e dos principais centros de produção de equipamentos necessários.

Em termos de infraestrutura, a situação é melhor do que se pode imaginar: a futura base de lançamentos tem por perto as instalações da 27ª divisão de mísseis desativada nos anos 90.

Ainda assim, o cronograma anunciado é muito apertado, especialmente considerando o fato de que a partir da Vostótchni serão lançados foguetes muito diferentes dos Start.

A nova base também precisará de uma pista de pouso e decolagem de cerca de cinco mil metros de extensão para receber aviões de carga pesados como o Ruslan.

Segundas intenções


A Baikonur, primeira e maior base de lançamentos espaciais do mundo que, após 1991, passou a pertencer ao Cazaquistão, continua atendendo às principais demandas do programa espacial da Rússia e de outros países.

O potencial das duas principais bases da Rússia permite aumentar, pelo menos, em uma vez e meia o número de lançamentos espaciais sem usar os campos de provas de Kapústin Iar e das Tropas de Mísseis Estratégicos.

Portanto, o objetivo da construção de uma base de lançamentos no Extremo Oriente não é diminuir a pressão sobre as bases existentes que, segundo as estatísticas acima citadas, são subutilizadas.

Kapústin Iar é a terceira base de lançamentos mais importante do país Foto: ITAR-TASS


As vantagens geográficas da base Vostótchni também são duvidosas. Se por um lado está localizada mais perto da linha do Equador do que a base Plesetsk, por outro lado, está mais longe do que a base Baikonur, sendo, nesse sentido, menos atrativa para realização de lançamentos.

 

A Rússia paga caro pelo aluguel da base Baikonur e cada lançamento fracassado aumenta os problemas nas relações entre os dois países. Paralelamente, não deixa de ser um centro necessário à integração da Rússia e Cazaquistão.

A Baikonur proporciona empregos, exige a presença permanente da população russa e permite manter trocas científicas e culturais entre ambas as nações, dando, assim, continuidade à situação de paz entre os dois povos.

A inauguração da base Vostótchni poderá, por sua vez, provocar a degradação da base Baikonur.

Com a construção de uma base de lançamentos espaciais no Extremo Oriente, o governo pretende desenvolver essa região e criar empregos nas áreas científicas.

Histórico de lançamentos


Em 2011, a Rússia promoveu 32 lançamentos espaciais, dos quais 24 foram realizados na base Baikonur, sete na Plesetsk, e um no campo de provas de Iasni das Tropas de Mísseis Estratégicos, perto do município de Dombaróvski, na região de Orenburgo.

Num futuro próximo, a construção de uma rampa para os lançamentos do novo foguete Angará irá aumentar a participação da Plesetsk.

 

Desde 1993 a base de lançamentos Plesetsk perdeu suas posição de liderança Foto: ITAR-TASS

Mesmo sem isso, as duas bases citadas anteriormente são subutilizadas: na época soviética, eram realizados ao todo entre 90 e 100 lançamentos por ano.

Em 1982, a URSS estabeleceu um recorde específico, realizando 59 lançamentos na base Plesetsk, 44 na Baikonur e cinco no campo de provas de Kapústin Iar.

No ano seguinte, a Plesetsk lançou 62 foguetes, a Baikonur, 33 e o campo de provas de Kapústin Iar, apenas quatro.

O campo de provas de Kapústin Iar é a terceira base de lançamentos mais importante do país. Sua função tem sido sempre realizar testes de mísseis. Mesmo assim, o campo de Kapústin Iar lançou para o espaço mais de 80 foguetes.

O maior número de lançamentos espaciais foi realizado nos campos de provas das Tropas de Mísseis Estratégicos.

Os foguetes transportadores eram geralmente mísseis balísticos intercontinentais reconvertidos no programa de redução dos arsenais estratégicos ofensivos da Rússia e dos EUA. Três de tais foguetes foram lançados a partir de submarinos atômicos russos.

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