Venezuela reforça sua defesa com armamento russo

Pechora-2M Foto: RIA Nóvosti

Pechora-2M Foto: RIA Nóvosti

O primeiro dos 11 sistemas Pechora-2M chegou ao país em 2011 e foi exibido em primeira mão durante o desfile militar na capital venezuelana em fevereiro. O novo equipamento faz parte de um programa para aprimorar a defesa antiaérea do país.

Um sistema autopropulsado de mísseis antiaéreos Pechora-2M, construído pelo grupo financeiro-industrial Sistemas de Defesa de Moscou, foi instalado perto do aeroporto internacional Josefa Camejo, em Las Piedras, na Venezuela. O novo sistema tem como missão defender a maior refinaria petrolífera do país contra ataques aéreos.

Durante o anúncio feito pelo general Henry Rangel Silva, ministro da Defesa venezuelano, foram também apresentados outros dez sistemas Pechora que serão instalados pelo país, completando, assim, o processo de criação do Comando Aéreo de Defesa Aeroespacial Integrada (CADAI) da Venezuela.

De acordo com o general, o presidente Hugo Chávez aprovou a liberação de US$ 100 milhões para a compra de mais de 2 mil novos veículos. A ideia é também atualizar o parque automotivo das Forças Armadas venezuelanas.

Cabe salientar que o Pechora-2M é uma versão atualizada do sistema de defesa antiaérea S-125 Pechora, também conhecido como Neva, construído na União Soviética no final dos anos 50 do século passado e instalado em 1961.

O S-125 Pechora podia destruir com dois mísseis – e uma probabilidade de 98% – alvos aéreos voando a uma velocidade de 550 m/s, até 20 km de altitude e a uma distância no limite de 25 km. 

O S-125 Pechora (cerca de 400 unidades) continua em serviço em mais de 35 países, incluindo as ex-repúblicas soviéticas, e foi utilizado em vários conflitos militares dos últimos tempos , como nos Balcãs, por exemplo.

Nas guerras do Vietnã e no Oriente Médio, o S-125 Pechora se mostrou proveitoso na luta antiaérea e especialmente eficaz no combate aos alvos em voo raso.

Com um grande potencial para a atualização, o S-125 Pechora foi capaz de atender à demanda de muitos países em desenvolvimento por ser um equipamento de defesa antiaérea barato. Entretanto, com o tempo o S-125 Pechora deixou de atender às características do combate antiaéreo moderno.

Mudança necessária

Surgiram então novos sistemas de defesa antiaérea, como o S-300PMU, capazes de lutar contra um número maior de alvos aéreos e enfrentar até mesmo alguns tipos de mísseis balísticos e de cruzeiro.

No entanto, o S-300PMU era cinco ou seis vezes mais caro do que o Pechora e não podia atender à demanda dos clientes estrangeiros da indústria de guerra russa por ser exportado em quantidades muito limitadas.

 

Pechora-2M Foto: defensys.ru

A solução foi proposta pelos engenheiros da extinta empresa Almaz-Antei, autora do S-125 Pechora, contratada pelo grupo financeiro-industrial Sistemas de Defesa.

Eles substituíram todos os dispositivos termiônicos S-125 Pechora por digitais, colocaram blocos eletrônicos semelhantes aos usados na versão móvel do S-300PMU e um sistema ótico-eletrônico dia/noite, capaz de identificar e acompanhar os alvos nas condições de supressão do radar.

Essas foram algumas das atualizações realizadas no S-125 Pechora que o transformaram em Pechora-2M e o aproximaram do S-300PMU.

A grande inovação é o fato de o Pechora ter adquirido autopropulsão, tornando-se, portanto, mais ágil e menos vulnerável. Além disso, seus equipamentos podem ser dispersos em um raio de 10 km ao redor do posto de comando central e comunicam-se entre si por meio de fibra óptica ou sem fios.

Outro aspecto importante é que o sistema Pechora-2M, já em serviço no Egito, Etiópia e Mongólia, pode disparar mísseis usados pelo S-125 Pechora e carrega oito mísseis em vez de quatro.

Vencendo a concorrência


Além do grupo Sistemas de Defesa, a atualização do Pechora é efetuada também pela empresa bielorrussa Tetraedr.

Em setembro de 2009, o presidente venezuelano anunciou a decisão de criar um sistema de defesa antiaéreo sem precedentes na América Latina com uso de equipamentos antiaéreos russos.

Entusiasmado com as boas relações pessoais entre os dois presidentes, Hugo Chávez e Aleksandr Lukachenko, o governo bielorrusso esperava que a Venezuela desse preferência a sua versão.

Hugo Chávez escolheu, contudo, os produtos do grupo Sistemas de Defesa, pois o lado russo se ofereceu não só a comercializar a versão atualizada, mas também construir um programa de defesa antiaérea eficaz para o país.

Segundo os dados oficiais, a Venezuela já comprou da Rússia um batalhão de mísseis S-300VM e três de mísseis antiaéreos Buk-M2E, assim como 300 canhões coaxiais antiaéreos de 23 mm ZU-23/ZOM4, 11 radares P-18M e sistemas de controle automatizado, incluindo aqueles de origem bielorrussa. 

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