Reunião de Istambul gera otimismo moderado

Ilustração: Niyaz Karim

Ilustração: Niyaz Karim

O anúncio das negociações entre os seis mediadores internacionais – EUA, Rússia, China, França, Reino Unido e Alemanha – e o Irã em Istambul, no dia 14 de abril, renovou a esperança dos envolvidos na busca de uma solução pacífica para os problemas que afligem a região.

Os norte-americanos são categóricos quando se trata da situação no Irã. “Eles devem cumprir suas obrigações internacionais e deixar definitivamente de enriquecer urânio, como determinam as numerosas resoluções do Conselho de Segurança da ONU”, diz o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney.

Segundo ele, o regime de Teerã deve tomar uma decisão verificável de não tentar obter armas nucleares.

A secretária de Estado, Hillary Clinton, havia citado anteriormente como o Irã poderia provar a natureza pacífica de seu programa nuclear.

Entre as medidas, ela destacou a retirada dos estoques de urânio altamente enriquecido do território iraniano e a determinação de não produzir urânio com uma taxa de enriquecimento superior a 20%, além do país admitir as inspeções da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) em suas instalações nucleares.

Moscou compartilha uma posição semelhante, ainda que reserve suas particularidades.

De acordo com o chanceler russo, Serguêi Lavrov, o Irã deverá provar a todos o caráter pacífico de seu programa nuclear. “Mediante tal confirmação todas as sanções contra o Irã deverão ser canceladas”, acrescentou Lavrov.

O governo russo está preocupado com a possibilidade do Irã se transformar em uma potência nuclear, embora reconheça o direito do país realizar suas próprias pesquisas na área nuclear, desde que adequadas às normas da AIEA.

Nesse contexto, as atividades de enriquecimento de urânio sob o controle de inspetores internacionais também seriam possíveis.

Há grande expectativa em torno da possibilidade do Irã aceitar essa medida, desde que os mediadores internacionais prometam reconhecer seu direito de enriquecer urânio.

Ainda assim, tudo leva a crer que uma só rodada em Istambul será insuficiente para que as partes estabelecem um acordo definitivo.

“O encontro foi precedido por uma tensão inédita. Agora as partes têm que se acalmar. É óbvio que Obama não pode nem que entrar em outra guerra”, afirmou Guennádi Evstáfiev, veterano aposentado do Serviço de Inteligência Exterior da Rússia.

Fim às sanções


A Rússia e a China se opõem às sanções internacionais contra o país e já adiantaram seu veto a qualquer nova proposta do gênero no Conselho de Segurança da ONU.

O governo de Teerã também expôs suas condições para a conclusão de um acordo.

Ao contrário das exigências ocidentais, o Irã deve cessar a produção de urânio enriquecido a 20% somente quando acumular uma quantidade de combustível suficiente para suprir as necessidades de seus reatores nucleares.

“Quando isso ocorrer, não só reduziremos a produção como vamos passar a enriquecer urânio a  apenas 3,5%”, diz o diretor da OEAI (Organização de Energia Atômica do Irã), Fereydoon Abbasi.


Segundo o ex-representante iraniano para programas nucleares, Hussein Moussawi, o avanço nas negociações mantidas há nove anos depende do reconhecimento do “direito legítimo do Irã de realizar um programa nuclear”.

Os mediadores internacionais devem, entretanto, receber garantias de que o Irã não irá fabricar armas nucleares, além de “tirar dúvidas a respeito de seu programa nuclear, em conformidade com as exigências da Agência Internacional de Energia Atômica”, assinala Hussein Moussawi, em um artigo publicado no jornal “The Boston Globe”.

Moussawi também mencionou a necessidade de abandonar a prática de sanções, bem como as tentativas de mudar o governo no Teerã.

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