Parceiros na conquista de Marte

As agências espaciais da Rússia e da Europa, Roscosmos e AEE, respectivamente, assinaram um protocolo de intenções para realizar uma missão conjunta ao planeta vermelho. No entanto, o projeto, conhecido como ExoMars, precisa ainda ser aprovado pelo governo russo.

O projeto ExoMars está orçado em US$ 1,4 bilhões Ilustração: esa.int

A participação russa no projeto não estava inicialmente prevista e tornou-se possível somente após os EUA terem reduzido sua participação e contribuição financeira.

A Nasa (agência espacial americana) sofreu corte em suas verbas orçamentárias, recusando-se a ceder os veículos lançadores Atlas-V para os dois lançamentos programados.

Foi então que a Rússia entrou em cena. O país irá fornecer, além de um veículo lançador, um conjunto de equipamentos científicos em substituição aos equipamentos norte-americanos retirados do projeto.

“O acordo deve ser assinado já no primeiro semestre de 2013”,  disse à imprensa o presidente da Roscosmos, Vladímir Popóvkin. “É de nosso interesse resolver essa questão, o mais rapidamente possível, para que tenhamos motivos legais para alocar verbas para a construção do equipamento científico.”

Distribuídas ao longo de vários anos, as despesas decorrentes da participação russa não serão onerosas para o orçamento anual da Roscosmos, avaliado em US$ 4 bilhões.

Os resultados científicos também serão considerados propriedade intelectual conjunta da AEE e da Academia de Ciências da Rússia.

Embora ainda falte a aprovação do governo russo, o parecer positivo do Conselho Espacial da Academia de Ciências aumenta a esperança de que o acordo saia do papel.

Invasão vermelha 

 

Os cientistas russos encaram a participação russa no projeto ExoMars como parte do programa nacional de pesquisas marcianas.

Portanto, as verbas serão provenientes do abandonado projeto nacional Mars-Net, que previa a instalação de uma rede de estações meteorológicas no planeta vermelho.

“O orçamento reservado pelo Programa Federal de Estudos Espaciais para o projeto Mars-Net será canalizado para os gastos de nossa participação no ExoMars”, disse à agência de notícias Ria Nóvosti o diretor do Instituto de Pesquisas Espaciais, Lev Zelêni.

A construção do veículo lançador Proton para a primeira missão marciana será financiada com o dinheiro proveniente da indenização recebida pela perda da sonda espacial Fobos-Grunt.

O projeto ExoMars contará com duas missões. A primeira, prevista para 2016, deve levar à órbita marciana o satélite Trace Gas Orbiter, concebido para detectar metano na atmosfera de Marte, um indício de que haveria vida no planeta.

Nos anos 2018 e 2019, o satélite passará a operar em órbita baixa a fim de coletar dados científicos, e será instalada uma estação meteorológica estática.

Lua X Marte 

 

No ranking das prioridades da Roscosmos, os estudos marcianos dividem o primeiro lugar com as pesquisas lunares.

O início das expedições lunares está previsto para 2015, com o lançamento dos  satélites Luna-Resurs e Luna-Glob. A ideia é estudar os polos sul e norte da Lua.

 

O projeto Luna-Glob  Ilustração: federalspace.ru

Antes de 2020, novos veículos lunares russos e, finalmente, um cosmonauta russo também irão desembarcar na Lua.

Não é à toa que na lista das prioridades da Roscosmos os estudos marcianos estão logo atrás dos estudos lunares.

A Roscosmos não abandonou seus planos de enviar a Marte sua própria missão. O direito de dar o primeiro passo no solo marciano é reservado a sondas artificiais: em meados da década 20, uma sonda da Roscosmos, Mars-Grunt, deverá trazer à Terra amostras do solo vermelho.

Em um futuro mais distante, a agência espacial russa pretende ainda enviar a Marte uma missão tripulada.

Entretanto, antes de reconquistar o título de potência espacial a Rússia precisa estabelecer projetos conjuntos, que são, hoje, a única maneira de implementar um programa com mais segurança e rapidez.

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