União de Futebol lança força-tarefa antirracismo

Após a partida entre os clubes Lokomotiv (de Moscou) e Anji Makhatchkalá (do Daguestão) uma banana foi arremessada da área vip do estádio contra o zagueiro congolês Christopher Samba, que defende o Anji desde fevereiro. O jogador pegou a fruta e jogo

Após a partida entre os clubes Lokomotiv (de Moscou) e Anji Makhatchkalá (do Daguestão) uma banana foi arremessada da área vip do estádio contra o zagueiro congolês Christopher Samba, que defende o Anji desde fevereiro. O jogador pegou a fruta e jogo

A RFS (União de Futebol da Rússia, na sigla em russo) lançou uma nova força-tarefa que visa combater atitudes racistas em jogos. A iniciativa foi tomada para melhorar a situação no país antes da Copa do Mundo de 2018, em Sôtchi.

As dificuldades que permeiam a atuação da Rússia como anfitriã de jogos internacionais ficaram evidentes em mais um incidente envolvendo o lançamento de bananas a jogadores estrangeiros na Rússia.

O incidente ocorreu em um jogo entre os clubes Lokomotiv (de Moscou) e Anji Makhatchkalá (do Daguestão), na capital russa, na segunda quinzena de março deste ano, no qual o Anji perdeu de 1 a 0.

Após a partida, uma banana foi arremessada da área vip do estádio contra o zagueiro congolês Christopher Samba, que defende o Anji desde fevereiro. O jogador pegou a fruta e jogou de volta.

Agora, a RFS (União de Futebol da Rússia, na sigla em russo), quer remediar os acontecimentos com a criação de uma força-tarefa antirracismo.

 

 “O comitê de ética da RFS decidiu criar um grupo de trabalho especial composto por seus próprios membros”, publicou a associação em seu site.

De acordo com o anúncio, o principal objetivo do novo órgão é lutar contra “o racismo, a xenofobia e o extremismo”.

Guerra da informação no futebol

 

Uma semana depois do ocorrido, o Lokomotiv publicou em seu site uma nota afirmando que a banana tinha sido atirada por um torcedor do Anji. Pouco tempo depois, porém, a publicação foi excluída do site.

Em resposta, o vice-presidente do Anji, Guérman Tchistiakov, afirmou que as acusações do Lokomotiv estavam “denegrindo a reputação dos torcedores [do Anji]”.

Além disso, Tchistiakov exigiu que o Lokomotiv apresentasse provas ou um pedido público de desculpas.

O ministro dos Esportes, Turismo e Juventude, Vitáli Mutko, prometeu investigar o caso envolvendo Samba. Mas Mutko também enfatizou que os problemas ocorridos na Rússia podem acontecer em qualquer outro país.

O incidente, entretanto, é apenas o mais recente de uma série de episódios racistas que têm manchado a imagem do futebol russo nos últimos anos, e traz perspectivas pessimistas para os preparativos para a Copa do Mundo no país.

Na última temporada, o brasileiro Roberto Carlos, hoje na direção do Anji, foi vítima de incidentes envolvendo bananas duas vezes: durante uma partida contra o time Krília Sovetov, em Samara, e outra contra o Zenit, em São Petersburgo. Cada equipe recebeu uma multa no valor de US$ 10 mil (cerca de R$ 18,2 mil).

O responsável pelo incidente em São Petersburgo não foi revelado publicamente. Mas o Krília Sovetov divulgou ter sido Viatcheslav Prôkhorov, 22 anos, o lançador da segunda banana a Roberto Carlos.

Prôkhorov, entretanto, negou o ato racista e não foi punido. Embora os acontecimentos tenham sido considerados racistas, não há fundamentos jurídicos para processar os responsáveis pela ação.

Hitler entra na partida

 

Em abril de 2011, um cartaz celebrando o aniversário de Adolf Hitler surgiu na ala de torcedores do Spartak de Moscou durante uma partida contra o FC Krasnodar, no estádio Lujniki, na capital russa.

Os torcedores do Spartak insistem que o cartaz foi ali instalado por “provocadores”, e prometeu investigar o incidente. Os resultados da suposta investigação, entretanto, nunca foram divulgados.

Muitos torcedores estão preocupados com a frequência com que atos racistas têm sido praticados no futebol russo com a intenção de prejudicar a reputação de times e torcedores.

Como resultado, associações como a VOB (em russo, União de Torcedores Esportivos da Rússia) continuam a exigir investigações minuciosas dos casos.

“Estendemos nosso apoio ao Lokomotiv na investigação e pedimos que essa seja finalizada e publicada, inclusive com fotos e vídeos”, escreveu o VOB em seu site.

Fazer uma distinção entre os verdadeiros incidentes racistas e meras provocações poderia ser, contudo, a tarefa mais desafiadora do grupo de trabalho da RFS.

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